EUDAIMONIA – Feira ou não Feira

por Rui Macário | 2014.02.16 - 21:09

Não pretendendo dar a ideia de conhecer os números que a Feira de S. Mateus envolve (orçamento, funcionários, receitas, etc…) a recente decisão municipal de extinguir a EXPOVIS –entidade que de há alguns anos para cá tem, entre outros,  a encargo de organizar e gerir a Feira de S. Mateus – traz consigo algumas questões que serão prementes e decisivas quer para o certame quer para a própria economia local.

Nunca fui grande admirador de empresas municipais – do mesmo modo que o não sou de associações municipalizadas – no entanto e baseando-se – do que é conhecido – a decisão na mais ou menos global extinção de empresas municipais e fundações, o que resulta é uma lacuna difícil de preencher. A proposta avançada pelo Executivo Municipal passará por uma nova gestão respondendo perante uma associação de entidades e agentes, onde mais vozes possam dar o seu contributo na concepção e fins. Apesar de defender o lugar dos privados, não julgo, em nenhuma circunstância, que as “concessões” se devam prorrogar por mais do que o normal período para que haja o cumprimento (ou falhanço) de um programa; e em qualquer das circunstâncias, que haja margem para que outros possam ou continuar o trabalho feito, ou modificar o rumo. A rotação não é rotatividade.

O tipo de Feira que se pretende não é consensual, nem sequer é maioritário, provavelmente, e o equilíbrio a atingir entre os vários públicos e tendências não será ciência, será arte da equipa sobre a qual recair a incumbência. O que quer que se decida – talvez só para a próxima edição, em 2015, esteja claramente definida e sustentada essa nova modalidade – que se faça a prazo e com prazo.

Os últimos três anos tentaram – e digo-o porque em alguns momentos pude acompanhar de perto o processo – criar o caminho para os anos seguintes. Tal como na ideia, na avaliação haverá dissonâncias. De todo em todo, não é uma tarefa fácil, a de se ser responsável pelo “monstro” que é a Feira e o seu mundo de visitantes, para lá do público escrutínio que sobre a formatação da mesma a cada ano é feito. O conteúdo sentimental não se debate, pertence aos indivíduos (a todos diverso); o financeiro, porém, a ser positivo, não justificaria a extinção.

Dispenso os inevitáveis directos de Domingo à tarde, mas o que seria da Feira sem eles e para quem seria? E sobretudo, quem a manteria ou para quem seriam os seus proveitos? Dito isto, concordo que há lugar para mudança, sempre houve, mesmo quando se ia ao Cinema à Feira.

Licenciado em Arte e Património (UCP-Porto) e Pós-Graduado em Arte Contemporânea (UCP-Porto), sendo actualmente Investigador do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) e doutorando em Estudos do Património (UCP-Porto), Desde 2008 é um dos responsáveis pela Projecto Património, tendo assumido funções de coordenação/co-coordenação de vários dos projectos pela mesma assumidos (de que se destacam o Ano Internacional Viseense, a VISEUPÉDIA, o VISTACURTA – Festival de Curtas de Viseu, e o Museu do Falso). Colaborou em, ou integrou projectos de várias entidades a operar no sector cultural (entre outras: Museu do Carro Eléctrico, Museu Grão Vasco, Diocese de Viseu, Arquivo Distrital de Viseu).

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