Em trânsito

por Rui Macário | 2014.05.27 - 16:34

De Granada, a vista do Alhambra e da Sierra Nevada modelam os acontecimentos da cidade que, talvez, mais impacto ainda mantém da passagem muçulmana pela península. Tal como muitas outras cidades e povoações da Andaluzia possui artefactos e estruturas que por si só, merecem uma visita e uma contemplação. O problema é que quase tudo merece essa contemplação. Espanha sendo maior e mais rica atrai e incomoda pela grandeza. Ao cruzar o território e contar ou perder a conta aos numerosos castelos, por exemplo, pensa-se com alguma facilidade que se fossem os nossos vizinhos a criar rotas para cada tipologia patrimonial, nunca mais fariam outra coisa que não essa. Nós, por outro lado, precisamos chamar a atenção para cada uma, vezes e vezes sem conta.

Ainda assim, o número de turistas não se compagina com algumas pobres intervenções de manutenção e a sempre fraca (é opinião) sinalética. Quase se passa ao lado do que andamos à procura. Entre nós a sinalética é do mesmo; talvez mais abundante em certos pontos mas irrelevante no conteúdo que não o primário.

Falou-se nestes dias de uma hipotética União Ibérica, se não faria sentido… a páginas tantas, concordávamos todos na sua possibilidade e interesse (que portento seria a Hispânia) mas na impraticabilidade de unir esforços. Ficam as casuais e necessárias trocas de experiências, ocorrências mais ou menos inconsequentes se não tomadas por mão que as queira assegurar para o futuro e as queira tornar recorrentes.

De Espanha viriam bons agentes e boas experiências – não melhores, em muitas áreas. De Portugal iria o querer mais e algum saber fazer. No meio de tudo, quem sabe se não conseguíamos tornar um punhado de nações num verdadeiro território funcional e interligado.

Acabe-se com as portagens por aqui e com as que existem na Galiza (a mais portuguesa de todas as regiões) e há um bom primeiro passo. Juntem-se os vários centros de investigação e as várias universidades e teremos manancial a partir do qual criar solidez para uns milhões de pessoas e as nossas (portuguesas e espanholas) ligações ao mundo luso-castelhano.

Licenciado em Arte e Património (UCP-Porto) e Pós-Graduado em Arte Contemporânea (UCP-Porto), sendo actualmente Investigador do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) e doutorando em Estudos do Património (UCP-Porto), Desde 2008 é um dos responsáveis pela Projecto Património, tendo assumido funções de coordenação/co-coordenação de vários dos projectos pela mesma assumidos (de que se destacam o Ano Internacional Viseense, a VISEUPÉDIA, o VISTACURTA – Festival de Curtas de Viseu, e o Museu do Falso). Colaborou em, ou integrou projectos de várias entidades a operar no sector cultural (entre outras: Museu do Carro Eléctrico, Museu Grão Vasco, Diocese de Viseu, Arquivo Distrital de Viseu).

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