EUDAIMONIA – Em memória

por Rui Macário | 2015.06.29 - 08:18

 

 

 

Em Novembro de 2011 (dia 19), num recanto que se entretinha na Rua Silva Gaio, o Dr. João Luís. Inês Vaz apresentou o “verbete” de um daqueles “cromos” sobre a cidade, que na altura contavam o 11º. Porque as homenagens se prestam pelo trabalho realizado, utilizo a referência do que me pareceu ser um tema que a ele tocava. Assim fica o texto original por ele enviado (editado posteriormente, pelo que o presente é uma versão de trabalho, com nuances e hipóteses, segundo me explicou), relembrando igualmente a simpatia e uma conversa que decorreu tarde fora em meio a sala repleta de pessoas.

 

BASÍLICA PALEOCRISTÃ DE VISEU E MESQUITA ÁRABE

ESCAVAÇÃO: 1988-1992

RESPONSÁVEL DA ESCAVAÇÃO: João Luís Inês Vaz

CORESPONSÁVEL: Ivone dos Santos da Silva Pedro

Sob os alicerces da Casa da Guarda construída nos inícios do séc. XX, no ângulo formado pela torre medieval e a muralha, apareceu a basílica paleocristã erguida sobre um anterior edifício romano do tempo de Constantino, o Grande (século IV) que, por sua vez, sobrepujava outra construção do século I.

A basílica, datada da segunda metade do século V ou inícios do VI, tinha uma cabeceira tripartida, com arcos redondos e absidíolos laterais quase fechados. O pavimento era em opus signinum de grande qualidade e as paredes com frescos em que dominavam os amarelos, azuis e pretos. No espólio encontrado sobressaem, além dos materiais romanos, as cerâmicas cinzentas estampilhadas encontrados na vala de fundação da cabeceira da basílica.

Esta basílica foi destruída pelos Árabes, tendo sido encontrado um muro com orientação sudeste-noroeste que assentava directamente sobre o pavimento da basílica, pelo que deverá corresponder a um muro da mesquita, provavelmente o seu mirab.

Em frente da basílica, já na Praça de D. Duarte, foi encontrada uma necrópole datada de finais do século X.

 

Licenciado em Arte e Património (UCP-Porto) e Pós-Graduado em Arte Contemporânea (UCP-Porto), sendo actualmente Investigador do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) e doutorando em Estudos do Património (UCP-Porto), Desde 2008 é um dos responsáveis pela Projecto Património, tendo assumido funções de coordenação/co-coordenação de vários dos projectos pela mesma assumidos (de que se destacam o Ano Internacional Viseense, a VISEUPÉDIA, o VISTACURTA – Festival de Curtas de Viseu, e o Museu do Falso). Colaborou em, ou integrou projectos de várias entidades a operar no sector cultural (entre outras: Museu do Carro Eléctrico, Museu Grão Vasco, Diocese de Viseu, Arquivo Distrital de Viseu).

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