Eudaimonia 9 – Fraco Rei faz Fraca a Forte Gente

por Rui Macário | 2014.03.09 - 17:43

Começamos agora a discutir a questão das eleições europeias, entre candidatos e aspirações pessoais dos mesmos. Não há, por enquanto, grande entusiasmo fora o dos escolhidos para integrar as listas (em lugar elegível muito particularmente). Podemos ter opções diversas quanto ao que aí virá mas uma coisa é talvez garantida: estaremos a votar não nos representantes que tentarão obter mais fundos ou quotas para Portugal, antes nos decisores de uma nova Europa. Infelizmente, o panorama não é o mais propício a devaneios apaixonados sobre o futuro comum dos povos num continente em paz…

Uma das primeiras noções de ciência política, quando debatendo os grandes projectos pan-continentais ou trans-nacionais, afirma que historicamente as Uniões ou se desagregam ou se transformam em Federações. A União Europeia está madura demais para não decidir. E nós? Quereremos ser estado federado desta Europa?

Os fundos de que todos falamos e dos quais beneficiamos têm sido discricionariamente utilizados e mesmo os que considerávamos essenciais a um país mais próximo de si mesmo, foram transformados em ónus a suportar (não para com o Estado mas para com aqueles a quem o Estado os decidiu “emprestar”).

Descoberto o turismo como maná nacional, vemos uma Lisboa “cool” e um Porto “destino a eleger”. O resto é paisagem certamente. Ir de Viseu a Fornos de Algodres é escolher entre próximo de uma hora de viagem ou cerca de €2 em portagens (só de ida, claro). Haja solidariedade e desenvolvimento regional.

O resto é igualmente difícil. O país histórico é agora país de abandonos. Talvez um dia alguém se lembre de umas histórias significativas para contar à terceira geração de luso-franceses que, quando em “partilhas”, se desloquem à “terra” dos antepassados que nunca conheceram. Ou então partilha-se um link com muitos “likes”, e podemos “honestamente” assinar os relatórios finais dos projectos de divulgação e valorização do Património financiados por qualquer QREN que apeteça a quem o fez aprovar… Feitas as médias, se para cada povoação destas bandas, com cerca de 30 residentes, conseguirmos “zumbido” suficiente, teremos sem dúvida marcado a diferença no seu dia-a-dia e no das localidades a que pertencem (falta apenas comprar-lhes um computador ou informá-los pela rádio que assim aconteceu, mas com outro financiamento isso arranja-se).

Licenciado em Arte e Património (UCP-Porto) e Pós-Graduado em Arte Contemporânea (UCP-Porto), sendo actualmente Investigador do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) e doutorando em Estudos do Património (UCP-Porto), Desde 2008 é um dos responsáveis pela Projecto Património, tendo assumido funções de coordenação/co-coordenação de vários dos projectos pela mesma assumidos (de que se destacam o Ano Internacional Viseense, a VISEUPÉDIA, o VISTACURTA – Festival de Curtas de Viseu, e o Museu do Falso). Colaborou em, ou integrou projectos de várias entidades a operar no sector cultural (entre outras: Museu do Carro Eléctrico, Museu Grão Vasco, Diocese de Viseu, Arquivo Distrital de Viseu).

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