EUDAIMONIA – …?

por Rui Macário | 2014.06.22 - 12:45

 

Uma clara evidência do tempo em que vivemos é o replicar de iniciativas formatadas, adaptando o “título” ao espaço em que se pretenda levá-las a cabo. A diversidade de produtos, agires e saberes torna-se similar em emprenho e disposição um pouco por todo o país, consignando, paradoxalmente (?), um nivelamento da atenção e valor do que se apresenta.

Ao invés de atraírem de fora, tornam-se chamarizes para as comunidades no âmbito dos quais se promovem. Falha o “atrair” resultando o “motivar”. No Distrito de Viseu vamos cultivando a vinha e o vinho, do mesmo modo que se “cultiva” vitela e frango do campo, com molho ou recheio de mirtilos, o mais endógeno dos endógenos da moda, a par com os cogumelos Shiitake que dão substância a alheiras vegetarianas (??).

São estes, todos e em potência, produtos de exportação ou para utilização em produtos exportáveis. Só nos falta ter em conta que ao Centro (di-lo o Presidente do Turismo do Centro) vêm sobretudo turistas nacionais e que aos turistas nacionais agrada o típico com um toque de gourmet (os nativos do Centro que não podem dele sair, querem variedade, já que estão fartos do típico no qual vivem, parece). Exportar o que se pode exportar, elimina boa parte da matricialidade do que o Centro enquanto destino turístico pode oferecer: o que ele já é…

No próximo congresso sobre Turismo Interno (o primeiro, ao menos em muitos anos) que terá lugar no Montebelo daqui a alguns dias, falar-se-á da necessidade de novas campanhas “Vá para fora cá dentro” e nele estarão alguns dos mais reputados especialistas portugueses em turismo. Os novos putativos DOP nacionais são no Turismo e ao Dr. Pedro Machado (talvez em breve algo mais que “apenas” Presidente do Turismo do Centro) se deve dar o crédito necessário, no entanto, quando é que o Turismo começa a contribuir para as contas da cultura, sendo que mais de 50% (muito mais mas assumamos uma mediania discursável) dos turistas procuram – no centro – a componente “cultural”, caso contrário não aparcam, não pernoitam, não consomem a vitela de Lafões regada a Dão?

 

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Uma clara evidência do tempo em que vivemos é o replicar de iniciativas formatadas, adaptando o “título” ao espaço em que se pretenda levá-las a cabo. A diversidade de produtos, agires e saberes torna-se similar em emprenho e disposição um pouco por todo o país, consignando, paradoxalmente (?), um nivelamento da atenção e valor do que se apresenta.

Ao invés de atraírem de fora, tornam-se chamarizes para as comunidades no âmbito dos quais se promovem. Falha o “atrair” resultando o “motivar”. No Distrito de Viseu vamos cultivando a vinha e o vinho, do mesmo modo que se “cultiva” vitela e frango do campo, com molho ou recheio de mirtilos, o mais endógeno dos endógenos da moda, a par com os cogumelos Shiitake que dão substância a alheiras vegetarianas (??).

São estes, todos e em potência, produtos de exportação ou para utilização em produtos exportáveis. Só nos falta ter em conta que ao Centro (di-lo o Presidente do Turismo do Centro) vêm sobretudo turistas nacionais e que aos turistas nacionais agrada o típico com um toque de gourmet (os nativos do Centro que não podem dele sair, querem variedade, já que estão fartos do típico no qual vivem, parece). Exportar o que se pode exportar, elimina boa parte da matricialidade do que o Centro enquanto destino turístico pode oferecer: o que ele já é…

No próximo congresso sobre Turismo Interno (o primeiro, ao menos em muitos anos) que terá lugar no Montebelo daqui a alguns dias, falar-se-á da necessidade de novas campanhas “Vá para fora cá dentro” e nele estarão alguns dos mais reputados especialistas portugueses em turismo. Os novos putativos DOP nacionais são no Turismo e ao Dr. Pedro Machado (talvez em breve algo mais que “apenas” Presidente do Turismo do Centro) se deve dar o crédito necessário, no entanto, quando é que o Turismo começa a contribuir para as contas da cultura, sendo que mais de 50% (muito mais mas assumamos uma mediania discursável) dos turistas procuram – no centro – a componente “cultural”, caso contrário não aparcam, não pernoitam, não consomem a vitela de Lafões regada a Dão?

 

Licenciado em Arte e Património (UCP-Porto) e Pós-Graduado em Arte Contemporânea (UCP-Porto), sendo actualmente Investigador do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) e doutorando em Estudos do Património (UCP-Porto), Desde 2008 é um dos responsáveis pela Projecto Património, tendo assumido funções de coordenação/co-coordenação de vários dos projectos pela mesma assumidos (de que se destacam o Ano Internacional Viseense, a VISEUPÉDIA, o VISTACURTA – Festival de Curtas de Viseu, e o Museu do Falso). Colaborou em, ou integrou projectos de várias entidades a operar no sector cultural (entre outras: Museu do Carro Eléctrico, Museu Grão Vasco, Diocese de Viseu, Arquivo Distrital de Viseu).

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