essa demora no despertar que não é doença dos olhos

por Maria José Quintela | 2013.12.21 - 18:57

a noite não te conhece. não és o nome que te deram.
a noite é um arco que ninguém salta acordado. daí o refúgio na manhã. a tua câmara ardente. de luz que gera as sombras benignas que te amarram ao chão. um destino insuportável.

há-de chegar-te a hesitação. a queda abrupta dos braços. nas pálpebras o peso do cansaço. no sangue as sombras residentes. resistentes. longe o fingidor e o fingimento.
só quem nunca dormiu pode viver de olhos abertos para sempre. é preciso cegar para ver. durante a noite as coisas crescem e mudam de nome. às vezes morrem. tu sabes e esqueces.

tudo o que não tocas não decifras. por exemplo a realidade. essa demora no despertar que não é doença dos olhos.