Composição química do vinho

por Elvira Gaspar | 2014.01.17 - 21:28

Estima-se que o uso medicinal do vinho seja anterior a a 2200  aC, tornando-o o remédio conhecido mais antigo. Historicamente, o vinho tem sido utilizado como anti-séptico e analgésico e ainda no tratamento de problemas dermatológicos e desordens do aparelho digestivo.

No início dos anos 90, vários estudos epidemiológicos decorridos em França revelaram uma incidência relativamente baixa de doença coronária, apesar dos altos níveis de gordura saturada na dieta tradicional francesa. O consumo diário moderado de vinho tem sido proposto como factor chave contribuinte para este efeito, apesar de haver críticos desses estudos que afirmam como mais provável o mesmo ser devido à consciência e hábitos promotores de saúde  exercidos pela população dos estudos,  possuindo ensino superior e pertencente a classe socio-económica média-alta. Contudo, inequivocamente, há um crescente de evidências a partir de estudos realizados em animais e seres humanos que suportam a conexão entre o consumo regular moderado de vinho e os benefícios para a saúde. Existe também um conjunto de resultados científicos que suportam a existência de benefícios para a saúde devidos à uva e aos seus produtos derivados, tais como o sumo de uva e o extracto de sementes. Estes produtos têm sido testados (e utilizados) no tratamento de cancro, doença cardiovascular, acidente vascular cerebral isquémico, doenças neurodegenerativas, envelhecimento, hipertensão, hiperlipidemia e cárie dentária.

Embora a composição química das uvas e do vinho seja algo diferente, os efeitos terapêuticos descritos são análogos. Alguns investigadores sustentam que esses benefícios estão aumentados no vinho, possivelmente devido à presença do componente etanol e/ou devido ao acréscimo que este proporciona à biodisponibilidade dos polifenóis, resultado do processo de fermentação inerente ao vinho.

Os mecanismos responsáveis ​​pelos efeitos benéficos do vinho para a saúde ​​são extremamente complexos. Tanto o álcool (etanol) como os  polifenóis têm sido extensivamente estudados e existe controvérsia sobre qual o componente mais importante. Tem sido bem documentado que a ingestão moderada de bebidas alcoólicas produz efeitos positivos nos antioxidantes, lípidos e plaquetas. Outros estudos indicam que as propriedades benéficas que o vinho demonstra são independentes da presença de álcool, e apenas devidas ao seu teor em polifenóis.

O vinho tinto vem  demonstrando possuir maiores benefícios para a saúde do que o vinho branco – os compostos polifenólicos, originários das cascas e sementes das uvas, estão presentes em maior variedade e concentração no vinho tinto do que no vinho branco.

Mas, o componente químico dominante (principal) do vinho, tinto ou branco (rosé, ou outro qualquer), chama-se H2O (água)…

Nascida em 1960, em Luanda, Angola. Pais Beirões (Pai de Mangualde, Mãe de Cantanhede) - raízes genéticas e culturais que me "desassossegam". Ensino secundário em Mangualde (um privilégio!) (transição colégio-liceu, 1975-1978). Licenciatura em Engª Química pela Universidade de Coimbra (1983). PhD em Química, especialidade Química Orgânica, pela Universidade Nova de Lisboa (1994). Docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa desde 1984.

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