Como os cães entraram na nossa vida

por Ana Cristina Mega | 2014.01.16 - 07:14

A História da domesticação do Cão é realmente a história da parceria entre cães e seres humanos.

Com a sedentarização do Homem primitivo nasce uma nova realidade, o Homem tem bens e precisa de os guardar das feras e dos seus semelhantes.

Aperfeiçoa então o lobo cinzento, Canis lupus (outras espécies do género Canis, como o chacal e o coiote, poderão estar envolvidas), com quem, já no tempo das cavernas, partilhava os restos das caçadas em troca de protecção contra os outros animais selvagens. Começa a seleccionar para a reprodução os indivíduos com os latidos de alarme mais sonoros em detrimento daqueles que apenas uivavam.

Nasce o Canis lupus familiaris, o cão doméstico.

A parceria inicial assentava nas necessidades humanas capazes de serem supridas pelos cães: na caça, no pastoreio, como animal de carga, na guarda de propriedades e como fonte de alimento e peles. Como contrapartida, os cães obtinham alimento e protecção. Como em todas as relações de trabalho bem-sucedidas, a cumplicidade entre os parceiros aprofunda-se e nasce a parceria dos afectos. Para além das funções de trabalho, o cão torna-se também companheiro.

O momento em que essa parceria se deu pela primeira vez ainda é controverso. Sabe-se que a domesticação do cão foi um processo longo e que teve início há mais tempo do que inicialmente se pensava, provavelmente há cerca de 35 mil anos, e ainda no paleolítico superior, facto fundamentado nos achados da Caverna de Goyet (Bélgica), da Caverna de Chauvet (França) e em Predmosti (República Checa). No entanto, a evidência duma relação mais alargada, aquela que se revê numa relação de trabalho, remonta apenas há 14 mil anos com os achados de Bonn-Oberkassel (Alemanha).

Num artigo publicado pela Nature, em 14 de Novembro de 2013, os estudos levados a cabo sobre o genoma de fósseis de cães sugerem que este tenha uma origem europeia. Mas só a continuação da sequenciação do ADN nuclear, nestes e nos lobos, poderá elucidar definitivamente este enigma.

Médica veterinária, docente na Escola Superior Agrária, ISPV

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