Chocolate – alimento dos deuses

por Elvira Gaspar | 2013.12.31 - 14:48

 

Durante a civilização Maia, o chocolate era uma bebida amarga feita a partir das sementes de cacau, denominada  xocoatl,  a qual acreditava-se combater o cansaço, sendo também considerado como afrodisíaco.

Devido à sua importância, os Maias usaram os grãos de cacau como moeda.  Durante o Império Asteca as sementes de cacau foram uma forma importante de divisas e um meio de pagamento de tributos. Um dos principais objetivos da expansão imperial dos Astecas na direção sudeste, durante o século XV, foi o de controlar as regiões produtoras de cacau. O seu uso como meio de pagamento continuou até ao século XX em algumas partes da América Central.

No México, os indígenas utilizavam o cacau na forma de  bebida fria, sem nenhum adoçante. A adição de açúcar de cana, canela e anis, feita pelos colonizadores Europeus, tornou a bebida mais apetecível. Quando Cortés retornou a Espanha em 1526, levou  consigo amêndoas de cacau, o que correspondeu ao primeiro consumo de cacau fora do continente americano.  O primeiro carregamento comercial ocorreu em 1585, de Veracruz para Sevilha. Durante quase 100 anos a  preparação da bebida permaneceu como um segredo espanhol, e apenas a aristocracia local tinha acesso ao produto, até que o mesmo foi introduzido em Itália (1606)  e depois em  França. A bebida tornar-se-ia popular e as “casas de chocolate” espalharam-se por toda a Europa.

Em meados do século  XVII  o médico Hans Sloane desenvolveu na Jamaica uma bebida à base de leite com chocolate inicialmente usada por boticários. Posteriormente, em 1897, a formulação foi vendida aos irmãos Cadbury. Por razões comerciais, o produto evoluiu para uma matriz sólida.

Na primeira metade do século XIX os Portugueses, que entretanto já haviam levado o cacau para o Brasil (o qual se tornou o maior produtor  no início do século XX),  levaram-no também para a Guiné, de onde se difundiria para outras colónias Europeias da África Ocidental e mais tarde para a Ásia e a Oceânia. No final do século XX as maiores regiões produtoras estavam localizadas na África Ocidental.

Durante as grandes guerras mundiais o poder energético e antidepressivo do chocolate é reconhecido pelo exército dos Estados Unidos e começa a fazer parte da “ração D” levada pelos soldados.

Hoje em dia existem predominantemente 3 tipos de chocolate:

Chocolate amargo:  feito de grãos de cacau torrados sem adição de leite. É também denominado de “chocolate puro”, pois além do cacau leva apenas açúcar. Os teores de cacau estão entre 75 e 90%.

Chocolate de leite: leva na sua confecção leite em pó ou leite condensado. A maior parte dos fabricantes europeus usam leite condensado, conforme receita original de Peter e Nestlé, enquanto que os produtores britânicos e americanos usam o leite em pó. Neste tipo os teores de cacau estão entre 30 e 40%.

Chocolate branco: feito com manteiga de cacau, leite, açúcar e lecitina, podendo conter aromas como o de baunilha. É o mais doce e o de textura mais cremosa. É um produto do século XX.

Ao chocolate, em geral, são atribuídos alguns benefícios para a saúde humana devido à sua composição química. É, no entanto, matéria de alguma controvérsia… Contudo, comprovadamente, são descritas sensações de prazer associadas ao consumo do chocolate.  Tal deve-se à presença de metilxantinas, as quais podem provocar sensações de bem-estar. Outra acção que pode estar relacionada com o bem-estar é o aumento da produção de feniletilamina, uma substância do grupo das endorfinas.As principais metilxantinas presentes são a cafeína em quantidades mínimas, correspondente a 5% de uma chávena de café e a teobromina  que exerce uma acção energética que incide na concentração e capacidade física de quem  consome chocolate em quantidades moderadas. Em cada 100 gramas de chocolate é possível encontrar 160 miligramas de teobromina.

Não terá sido por acaso que o botânico sueco, Carolus Linnaeus, classificou a planta do cacau denominando-a  Theobroma cacao  – do grego Theo (Deus) e broma (alimento)…energético, afrodisíaco, prazer e bem-estar….

Percebe-se pois porque no mundo todo é o chocolate que  aparece como tradição em maior número de festividades populares: UM Delicioso 2014!

 

Nascida em 1960, em Luanda, Angola. Pais Beirões (Pai de Mangualde, Mãe de Cantanhede) - raízes genéticas e culturais que me "desassossegam". Ensino secundário em Mangualde (um privilégio!) (transição colégio-liceu, 1975-1978). Licenciatura em Engª Química pela Universidade de Coimbra (1983). PhD em Química, especialidade Química Orgânica, pela Universidade Nova de Lisboa (1994). Docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa desde 1984.

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