Aquilino nasceu há 129 anos

por Pedro Morgado | 2014.09.11 - 10:35

Dia 13 de Setembro de 1885…

… era dia de S. Aquilino no calendário litúrgico. Mariana do Rosário Gomes dava à luz, pelas 13H00, um menino que foi baptizado no próprio dia, com o nome de Aquilino Gomes Ribeiro e posteriormente registado, na igreja matriz dos Alhais, da Nª Sra. da Corredoura, a 17 de Novembro desse ano.

Seu pai foi o Padre Joaquim Francisco Ribeiro, pároco do Carregal (Sernancelhe) desde 1879.

Aquilino vive até 1895 no Carregal. Aqui faz as primeiras letras. Nesse ano, em Março, muda-se com seus pais para Soutosa. Em Julho entra para o Colégio da Lapa, com 10 anos. A 5 de Outubro de 1900 vai estudar para Lamego, para o Colégio da Roseira, dito do Pe. Alfredo, onde faz os seus estudos preparatórios. Em Junho de 1902 vai para Viseu estudar filosofia, aí permanecendo 4 meses, primeiro numa pensão da Rua do Arco – a casa da senhora Joaquina – e depois na república estudantil da Rua do Gonçalinho – a pensão Milheiro.

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Em 16 de Outubro de 1902 começa a frequentar o curso de Teologia do Seminário de Beja. Em finais do ano seguinte, em conflito com o director e seu irmão, os Ançã, é expulso. Vai para Lisboa. Até 1906 partilha seu tempo entre Lisboa e Soutosa. Na capital, reside na Rua do Crucifixo, depois na Rua das Pedras Negras e mais tarde na Rua do Carrião.

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Em 1907 dá-se uma explosão no seu quarto da Rua do Carrião quando prepara engenhos explosivos com o médico Gonçalves Lopes e o lojista Belmonte Lemos, ambos mortos no acidente. É encarcerado na esquadra do Caminho Novo de onde se evade na madrugada de 12 de Janeiro de 1908. Vive numas águas-furtadas, clandestino, durante 4 meses. Em Maio apanha o Sud-Express no Entroncamento, para Paris.

Recorde-se que o regicídio ocorre em Fevereiro de 1908. Nele, perdendo a vida o rei Dom Carlos e o príncipe Luís Filipe.

Aquilino vem a Portugal em 1910 por ocasião da instauração da República. Entretanto, estuda na Sorbonne, na faculdade de Letras. Conhece Grete Tiedmann, uma berlinense, filha de um banqueiro, com quem casa na Alemanha em 1913. Passam a residir em Paris, na Rua Hallen.

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Em 26 de Fevereiro de 1914 nasce o 1º filho, Aníbal Aquilino Fritz Tiedmann Ribeiro. Regressa a Portugal na sequência da eclosão da Grande Guerra.

Em 1915 instala-se em Lisboa, no Campo Grande. Exerce funções docentes no Liceu Camões até 1918. No ano seguinte, a convite de Raul Proença, ingressa como 2º bibliotecário da BN.

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Em finais de 1920 viagem à Alemanha (e França) a convite dos sogros.

Em 29 de Maio de 1926 dá-se a Revolução Nacional. Daí a 1933 instaura-se a ditadura militar. Em 1927 falece Grete (19 Setembro). Aquilino, implicado na intentona de 7 de Fevereiro contra o Estado Novo, escapa à perseguição, refugia-se na Beira Alta e exila-se, de novo, em Paris.

Em 1928 participa na frustrada rebelião do Regimento de Pinhel. É preso em Contenças, Mangualde e encarcerado no presídio do Fontelo, em Viseu. Evade-se a 15 de Agosto, dia de Nª Sra. da Lapa. Foge para Paris.

Em Junho de 1929 casa em Paris, na Mairie de Montrouge, com Jerónima Dantas Machado, filha de Bernardino Machado, último Presidente da Iª República, exilado após o 28 de Maio de 1926. Reside no sul de França, em Ustaritz e posteriormente em Baiona. Aqui nasce, a 6 de Abril de 1930 o 2º filho, Aquilino Ribeiro Machado. Em 1931 vai para a Galiza, para Vigo e depois Tui. Em 1932 entra clandestinamente em Portugal e instala-se em casa de um amigo, em Abraveses. Daqui, regressa a Lisboa e passa a morar na Cruz Quebrada, sendo amnistiado.

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Em 1935 é eleito sócio-correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.

Em 1952 visita o Brasil onde é recebido com enorme sucesso.

Em 1956 cria a Sociedade Portuguesa de Escritores da qual é feito sócio nº 1.

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1958 é o ano da publicação de “Quando os lobos uivam”. Por esta obra é considerado arguido por ofensas à Justiça e magistrados. A nível internacional ergue-se um coro de solidariedade.

Em 1960 é candidato ao Prémio Nobel e em 1961, por motivos de saúde viaja com seu filho Aquilino a Londres e Paris.

Em 1963 comemora-se o Cinquentenário da sua vida literária. A 27 de Maio falece em Lisboa.

Em 19 de Setembro de 2007 os seus restos mortais são trasladados para o Panteão Nacional.

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AQUILINO GOMES RIBEIRO (13 de Setembro de 1885 – 27 de Maio de 1963)

Obras Publicadas, s/ diacronia

1913 – Jardim das Tormentas

1916 – Caderno dum Libertino, Atlântida

1918 – A Via Sinuosa

1919 – Terras do Demo

1920 – Filhas da Babilónia (Iª e IIª ed. incluem O Derradeiro Fauno, IIIª e sgts, não incluem, mas trazem Frustração; O Derradeiro Fauno é a versão inicial de Andam Faunos pelos Bosques)

1921 – Valeroso Milagre

1921 – A Traição

1922 – Estrada de Santiago (I ª ed. Malhadinhas, Obras Completas (1958) Domingo de

Lázaro)

1922 – Recreação Periódica

1922 – O Cavaleiro de Oliveira

1923 – Anatole France

1924 – Romance da Raposa

1926 – Andam Faunos pelos Bosques

1927 – O Tesouro Escondido, Magazine Bertrand, Setembro de 1927, de Batalha sem Fim

1930 – O Homem que Matou o Diabo

1931 – A Batalha sem Fim

1932 – As Três Mulheres de Sansão

1933 – Peregrinação

1933 – Maria Benigna (a Iª ed. não inclui Antecipação, apenas vem nas Obras Completas – 1958)

1934 – É a Guerra

1934 – Alemanha Ensanguentada

1935 – Quando ao Gavião Cai a Pena

1935 – Arca de Noé, III Classe

1936 – As Aventuras Maravilhosas de D. Sebastião, Rei de Portugal, depois da Batalha com o Miramolim

1936 – O Galante Século XVIII

1936 – Anastácio da Cunha, o Lente Penitenciado

1937 – S. Banaboião, Anacoreta e Mártir

1938 – A Retirada dos Dez Mil

1939 – Mónica

1939 – Por Obra e Graça

1940 – Em Prol de Aristóteles

1940 – Oeiras, Monografia

1940 – O Servo de Deus e a Casa Roubada

1942 – Brito Camacho

1943 – Os Avós dos Nossos Avós

1944 – Volfrâmio

1944 – Natal Português, Colectânea, Livros do Brasil

1945 – O Livro do Menino Deus

1945 – Lápides Partidas

1946 – Aldeia, Terra, Gente e Bichos

1946 – Camões e o Frade na Ilha dos Amores

1947 – Caminhos Errados

1947 – Constantino de Bragança, VII Vizo-Rei da Índia

1947 – O Arcanjo Negro

1948 – Cinco Réis de Gente

1948 – Uma Luz ao Longe

1949 – Camões, Camilo, Eça e Alguns mais

1949 – Edição Príncips de Os Lusíadas

1950 – Luís de Camões, Fabuloso e Verdadeiro

1951 – Portugueses das Sete Partidas. Aventureiros, Viajantes, Troca-Tintas

1951 – Geografia Sentimental

1952 – Leal da Câmara

1952 – O Príncipe Perfeito

1953 – Príncipes de Portugal, suas Grandezas e Misérias

1953 – Arcas Encoiradas

1954 – Humildade Gloriosa

1954 – O Homem da Nave

1955 – Abóboras no Telhado

1955 – Olhos Deslumbrados

1956 – O Romance de Camilo (3 vol.)

1956 – Sonho de Uma Noite de Natal, in Natal Cristão

1956 – Soldado que Foi à Guerra (conto extraído de Caminhos Errados, sob o título de Chumbo)

1957 – A Casa Grande Romarigães

1957 – D. Quixote de la Mancha (3 vol.)

1958 – O Malhadinhas (aparece na 1ª ed. de Estrada de Santiago)

1958 – Novelas Exemplares (Cervantes)

1958 – Quando os Lobos Uivam (ed. portuguesa e ed. brasileira)

1958 – Discurso de Recepção na Academia

1959 – Dom Frei Bertolameu dos Mártires

1960 – No Cavalo de Pau com Sancho Pança

1960 – De Meca a Freixo de Espada à Cinta

1963 – Casa do Escorpião

1963 – Tombo no Inferno – O Manto de Nossa Senhora

Póstumos:

1967 – O Livro de Marianinha

1974 – Um Escritor Confessa-se (1963)

1988 – Páginas do Exílio (1908-1914) – I vol.

Páginas do Exílio (1927-1930) – II vol, compul. e pref. de Jorge Reis

 

Um verdadeiro tesouro:

O bilhete de identidade de Aquilino Ribeiro

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Nasceu na Covilhã. Licenciado em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação de Viseu, ocupa parte do seu tempo nas áreas ligadas às novas TIC's.

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