Alma Ciuitatis

por Paula Branco | 2016.01.31 - 17:44

As rosas cedem ao murmúrio dos tempos

e encerram-se para esconder uma essência perdida!

Uma vida mesclada pela bruma sinuosa do vosso silêncio!

Uma vida pintada pelos caprichos dos vossos anseios!…

 

Lufares da ignorância,

entre olhares arrogantes,

vestindo os alabastros de caminhos, derradeiramente, déspotas

de infâmias, egocentricamente, arrojadas…

 

As aves…

Desenham no horizonte

um grito silenciosamente cego pelo pó de alumínio

em vísceras caídas…

 

E a alada escolta pérfida

veste-se viciosamente

para a dança corrupta do grande baile

das máscaras da vida!

 

Os poetas errantes

têm os sapatos gastos

e as palavras aniquiladas!…

 

Dizem que caminhamos para o fim!

E que há na natureza uma Aparência profética

a pincelar uma reputação de cobardes.

 

Sim! Cobardes!

Porque sois vergonha, gemendo um Pudor

que vende a própria honra ao Ouro;

para, de seguida, levitar infielmente

como se fora a luz omnipotente

a cuspir na própria escuridão!

A Terra geme agonizada

pela vossa… pela nossa ingratidão!…

 

E Deus fala de olhos vendados

pelo pranto de uma linguagem muda,

profetizando o futuro:

incoerente, profanado, poluído, dissipado,

incrédulo, infecundo de inéditas verdades.

 

Mas, ainda assim, o magnânimo Sol

insiste rasgar a penumbra oxidada,

ciente de que o Mar esconde a Alma de Deus

e de que há florestas singelas,

vertendo lágrimas de arrependimento

que, convertidas em falécias vertiginosas da fraude humana,

abrem sulcos profundos e ferem o âmago, já dilacerado,

desta Terra de outrora

ansiando o Olimpo e a derradeira catarse do Mundo!…