Afinal não há caminho pois não há onde chegar

por PN | 2014.02.28 - 10:22



Na areia que dá lugar ao ar corre a enterrar os pés e faz do mapa nora onde de olhos vendados animal cadente e crente rompe atrito empurra inércia e marcha lento na perpétua ara rogando vida à água, absurdo e cego passeio cumprido em concêntricos círculos, enterrando cascos no buraco da areia mole de cada volta mais fundo, tirando dor da progressão até que ceda, caído no ar tomado pela terra farinhenta, perca alento do passo tolhido pela parede cheia da ampulheta inerte, enfim encontre na terra-leito frescor do linho tardio, almofada acolhedora do cansaço de pender caído sonho.
E mais terra se escoa fina da ampulheta cínica, os olhos cega assim rendidos a pele de poros tapados, nem dedo soergue peso do manto nem oprime ou suprime lento ânimo do gesto, no ar dos pulmões vazios a areia entra seca sibilante silvado o ai.
O corpo… Húmus fétido transmutado onde já nada existe. No lugar do nada não há dor. Só répteis negros ávidos do enfim tomado.