Tabuaço – CIM DOURO – Fórum Alterações Climáticas no Douro

por Rua Direita | 2018.07.20 - 11:24

 

 

Começou ontem, numa unidade hoteleira de Tabuaço, município que tem à frente Carlos Carvalho, o Fórum Alterações Climáticas do Douro, promovido pela CIM DOURO e pelo seu presidente Carlos Silva Santiago.

A sessão iniciou-se às 15h00 com a presença de muitos dos autarcas dos 19 municípios integradores daquela Comunidade Intermunicipal, técnicos das áreas ambientais, empresários, comunicação social, etc.

Carlos Carvalho, o anfitrião, deu as boas vindas aos presentes e traçou as linhas gerais do fórum, referindo-se às consequências das alterações climáticas na região duriense e nos seus impactos sobre as populações e economia local.

Carlos Silva Santiago usou da palavra seguidamente, referindo:

“Segundo as previsões atuais, as capacidades limite de grande parte do planeta serão drasticamente reduzidas pelas mudanças climáticas. Esta básica constatação tem uma influência determinante sobre a vulnerabilidade das populações.

Hoje, a subida dos níveis do mar, a salinização das terras agrícolas, o aquecimento global, a desertificação e a escassez crescente da água potável, acrescidas das consequentes mudanças climáticas, tais como tempestades imprevistas, inundações causadas pela subida brutal dos níveis dos lagos glaciares, com a assimetria planetária e os seus distintos e plurais territórios a sofrerem diferenciados efeitos, nuns drástica redução demográfica, noutros um crescimento demográfico sem limites, determinam também a resiliência das populações face às catástrofes naturais, à seca, aos incêndios… e trazem-nos, numa mutabilidade ou mudança vertiginosa, o sinal vermelho de alerta para um mundo novo e não forçosamente melhor.

As seculares e recorrentes ofensas do homem aos ecossistemas estão a gerar os piores resultados.

A natureza, permita-se-me esta personificação, ressentida, está a reagir a uma velocidade alucinante a todos estes múltiplos fatores de desestabilização ecológica.

Aquilo que há duas décadas se previa que pudesse suceder se não fossem tomadas medidas drásticas e imediatas, está a acontecer na ausência delas, com uma precipitação transversal, mundial, nacional e regional.

Enquanto autarcas e os efetivos e reais dinamizadores e responsáveis do poder local, no cabal conhecimento das nossas regiões, cientes da realidade que temos, deveremos ser o foco irradiador não só de uma preocupação legítima, como também de uma ação premente e insistente sobre o presente e o futuro próximo, em termos de reação contra essas mesmas alterações climáticas e em luta por um equilíbrio sustentado.

Por isso, hoje e aqui, congregámos quem tem voz na matéria para debatermos esta crucial realidade, no nosso território, na nossa riqueza natural, visando a sua preservação e, fundamentalmente, gizando um plano estratégico profilático e, de certo modo, adivinhatório do futuro, para em bom, útil e otimizado tempo, com eficácia e profícuos programas, podermos minorar e evitar quaisquer catástrofes naturais, nos territórios sob a nossa alçada.

Hoje, as transformações, fragmentação e destruição dos habitats ocorrem inesperadamente e geram uma erosão da biodiversidade muito superior às taxas naturais de extinção.

Hoje, no nosso léxico e na nossa ação, a ecoesfera, a poluição, a eutrofização e tantos outros conceitos, deverão começar a presentificar-se quotidianamente por forma a que o nosso foco de atenção sobre eles se vire, à nossa escala, para prevenir catástrofes impensáveis há 20 anos e agora, fruto de um alheamento de ação e de uma dilação de atitudes e medidas, inquestionavelmente presentes no horizonte temporal imediato. Vivemos o momento do “Já!”.

Por tudo isto, hoje, é premente investirmos na investigação, analisarmos toda a informação, centrarmo-nos na sensibilização de todos nós enquanto autarcas e implementarmos medidas urgentes de transferência pedagogicamente actuante para os nossos munícipes, no entendimento de que, o conceito e a realidade de “alteração climática” vão reger, sem quaisquer dúvidas o nosso presente imediato e o futuro próximo que tivermos a competência de legar aos vindouros, já nas gerações sucedâneas.”

 

Seguiu-se a apresentação do PAIAC Douro – Plano de Acção Intermunicipal para as Alterações Climáticas do Douro com projecções do presente e do futuro centrado nos anos 2080/2100, sincronia na qual se prevê o aumento significativo da temperatura média anual; um aumento da temperatura máxima no Verão de 3º na zona costeira e 7º no interior com incremento de frequência de ondas de calor; tendência de redução significativa dos dias de geada e aumento do número de dias quentes e de noites tropicais; aumento do risco de incêndio, alteração das capacidades de uso e ocupação do solo e implicações sobre os recursos hídricos, decorrentes do clima térmico; alterações significativas do ciclo anual de precipitação, com tendências de redução de precipitação durante a primavera, verão e outono.

Traçados os cenários foram apresentadas medidas profilácticas para minimizar as consequências.

Teresa Costa e Ricardo Almendra, da Inflection Point apresentaram as linhas estratégicas do seu estudo, com conclusões e desafios futuros.

Ainda foi apresentado por um dos secretários executivos da CIM Douro o Programa de Informação, Educação e Sensibilização para as Alterações Climáticas do Douro.

Carlos Lima centrou-se nas Estratégias Municipais no caso de Vila Real.

Encerrou a sessão o vice-presidente da APA – Agência Portuguesa do Ambiente, Pimenta Machado, que foi cirúrgico na descrição dos cenários actuais e futuros e elucidativo nos programas existentes para este âmbito de acção e seus beneficiários.

Hoje decorrerá o “dia grande” do Fórum com especialistas internacionais do ICOMOS, da UNESCO, da UTAD, da FAUP, do Governo das Ilhas Baleares, CCDR-N e com o Ministro do Ambiente a encerrar o fórum.

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

Pub