“Programa Viseu Primeiro 2017/2021” com a oposição dos vereadores do PS

por Rua Direita | 2017.12.18 - 21:47

Para os vereadores do Partido Socialista na Câmara Municipal de Viseu, independentemente da concretização, finalmente, de algumas “obras de regime” – inerentes a uma maior execução do Portugal 2020 nos municípios portugueses nos próximos anos -, o atual mandato autárquico no município de Viseu antevê-se “mais do mesmo”. Quiçá, a politica excessivamente imaterial, baseada em marketing territorial, em eventos de animação urbana e “momentos”, tenderá a reforçar-se, considerando a reconfiguração do executivo.

Para além de vários sinais que têm sido dados neste início de mandato, o “Programa Viseu Primeiro 2017/2021” é expressivo sobre isso. Não emana de uma verdadeira visão estratégica, prospetiva para o desenvolvimento sustentável do concelho de Viseu.

É certo que apresenta uma imagem e um design gráfico imaculados, como é timbre da presente gestão autárquica da Câmara Municipal de Viseu, contudo, não configura um plano de ação com um cronograma para as obras, as ações e as metas a que se propõe. Não é operacionalizável. Lista essencialmente conceções e lugares comuns eloquentes de uma “governação autárquica moderna”.

Se é verdade que uma real implementação do “Viseu Primeiro” pode contribuir para o reforço da qualidade vida e do bom metabolismo urbano característicos de Viseu, também é patente que não promove a competitividade do território e não revigora a atratividade histórica de Viseu.

A designação do Programa – Viseu Primeiro – é paradigmática! A expressão “Viseu, cidade-região” não tem merecido aliás aplicação prática concreta nos últimos anos!

Para o Partido Socialista a interação – territorial, económica, cultural e em múltiplas dimensões – com os municípios vizinhos é nuclear para potenciar as vantagens comparativas latentes do concelho de Viseu e aproveitar as oportunidades. Por exemplo, veja-se a nossa localização geoestratégica e a agregação/polarização de uma população com mais de 300 mil habitantes num raio de 30mim/30km.

Independentemente da infraestruturação básica que – afinal de contas – não está concluída (vide o armazenamento e a captação de água), Viseu ainda necessita de obras estratégicas. Refiram-se algumas acessibilidades, como a conclusão da segunda circular, que, precisamente, exponenciam radialmente a articulação com o território envolvente.

No seguimento do primeiro mandato, no “Viseu Primeiro” continua-se a não vislumbrar uma estratégia proativa e agregadora em clusters económicos regionais latentes, como a fileira florestal, o agroalimentar, o macro setor automóvel, as energias alternativas, os transportes e a logística ou a saúde-e-bem-estar e o termalismo.

Os vereadores do PS concordam que as novas politicas autárquicas – imateriais – para a atratividade económica e a criação de emprego são muito relevantes, mormente, se forem bem gizadas e implementadas criteriosamente. Porém, face ao atraso histórico de Viseu ao nível da sua “empresealização” /industrialização, o Partido Socialista tem a firme convicção que apenas um pacote intensivo de políticas, que, para além daquelas, inclua políticas convencionais, como um quadro fiscal muito competitivo e preços de terrenos empresariais reduzidos, poderá infletir a falta de atratividade económica do Concelho, comparativamente aos seus municípios vizinhos industrializados e a cidades nacionais da sua escala.

O “Viseu Primeiro” não se debruça sobre a resolução dos problemas sociais identificados que afetam a vida urbana nalguns pontos da Cidade e do concelho de Viseu.

No “Viseu Primeiro” qual a estratégia e quantas políticas são dirigidas à retenção e atração dos mais jovens que, cada vez mais, sobretudo se qualificados, tendem a migar para outros municípios do País?

Ao que se perspetiva, ao nível cultural, o “Viseu Cultura” e o “Viseu Primeiro” tenderão a promover mais a programação e a manifestação cultural urbanas, por vezes, demasiado “proto-cosmopolitas”, visando muito pouco o impulso da criação artístico-cultural e da criatividade individual, da comunidade e do tecido urbano local.

Assumindo ser este um programa para o governo do município de Viseu, no conteúdo o presente documento perdeu algum esmero face ao primeiro de há quatro anos. O que se propõe para o centro histórico de Viseu é disso exemplar.

O estimulo ao desenvolvimento local sustentável das freguesias rurais continua a ser redutor. Quais as medidas que fomentam a infraestruturação e a instalação de equipamentos de 2ª geração e equipamentos sociais? A atratividade económica baseada nos recursos endógenos locais? Continuarão as freguesias rurais a sofrer de depressão demográfica e a perder população como já acontece em todo o concelho de Viseu?

Manifestamente, não é a visão estratégica para o concelho de Viseu dos vereadores do PS ou, tão pouco, o seu programa.

Considerando o primeiro mandato da atual gestão autárquica de Viseu, os vereadores do PS entendem que a efetiva concretização do programa para o governo do município de Viseu no mandato 2017/2021, é suspeita, já não merece o benefício da dúvida de um primeiro mandato.

Assim, em face do exposto, os vereadores do PS votaram contra o “Programa VISEU PRIMEIRO 2017/2021” na última reunião de câmara.

 

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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