Poluição no Rio Pavia, acusa o BE

por Rua Direita | 2019.08.21 - 10:00

Apesar do estado deplorável do Rio Pavia, a CMV responde dizendo que a sua reabilitação tem sido feita

Após os pedidos de esclarecimento sobre o estado geral do Rio Pavia, no dia 24 de Julho, à Câmara Municipal de Viseu, Junta de Freguesia de Viseu e Águas de Viseu, assim como denúncia à SEPNA-GNR e ICNF, o Bloco de Esquerda recebeu resposta por parte da Câmara Municipal de Viseu e das Águas de Viseu no sentido de que “Conforme anos anteriores, as águas de Viseu estão a proceder à limpeza das margens e leito do Rio Pavia. A empreitada em questão com o nome de “Reabilitação da Rede Hidrográfica do Rio Pavia em 2019” teve o auto de consignação em 08/07/2019. Os trabalhos iniciaram-se em 09/07/2019 e os troços em questão são da Circular Norte à Ponte António José de Almeida, do açude da Balsa ao Bairro de Santo António em Tondelinha e do Pontão de Santiago ao Pontão do Raposo numa extensão total de 7.000 m. Devido à falta de caudal do Rio Pavia nesta zona, a água encontrava-se estagnada o que aliado às temperaturas verificadas à data, provocaram temporariamente a falta de oxigenação desta, bem como o aparecimento de algas.”

As Águas de Viseu, responsáveis pelo projeto, adiantam que foram investidos 43.150,00 € e a Junta de Freguesia de Viseu afirma ter conhecimento desta empreitada, no entanto responsabiliza a Câmara Municipal de Viseu pelo assunto.

Bloco Insiste na Obtenção de Respostas 

Preocupa-nos que os trabalhos funcionem “à semelhança do ano passado” quando os resultados foram deploráveis e que após o início da referida reabilitação continuem a ser registadas situações de poluição que culminaram na morte de algumas espécies. Após as respostas anteriormente transcritas, questionámos, a 20 agosto, ambas as entidades:

“Sendo que os trabalhos associados à “Reabilitação da Rede Hidrográfica do Rio Pavia em 2019”, por responsabilidade das Águas de Viseu, deram início no dia 9 de Julho e o registo da ocorrência foi a 24 de Julho:

– Quais as ações específicas previstas para esta reabilitação? Quais destas já foram realizadas?

– Qual a razão de ter ocorrido uma descarga poluente sem identificação por parte da Câmara Municipal e Águas de Viseu e sem resposta quanto às entidades poluidoras e motivos desta ação?

-Tendo a Câmara Municipal de Viseu e as Águas de Viseu sido avisadas no próprio dia, quais as ações que levaram a cabo para limpeza do rio e controlo da situação registada?

– Quais as ações tomadas para impedir que situações semelhantes se repitam, tendo em conta os registos constantes em relação à falta de preservação do rio e das suas margens?”

Foram igualmente questionadas, ambas as entidades, sobre qual a intervenção do Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental de Viseu no que trata ao Rio Pavia e também sobre a rejeição das águas do Recinto da Feira de São Mateus, junto a este rio.

Os Problemas de Poluição e Falta de Água Continuam

Há motivos para a estagnação e falta de oxigenação da água do Rio Pavia e estes prendem-se com a falta de cuidados crónicos em relação ao mesmo, no entanto no dia 24 de Julho era visível a existência de dejetos e de dezenas de peixes mortos. Felizmente esta situação não é diária, não podendo portanto ser justificada com base em reações biológicas da corrente e que advêm da infeliz falta de reabilitação do leito e da margem do rio.

Mais uma prova desta situação é o fim de semana de 17 e 18 deste mês, onde foi possível registar o drástico esvaziamento do rio e a consequente morte de algumas espécies. No dia 19 de Agosto, o Município de Viseu, desculpou-se publicamente afirmando que “Na observação efetuada constatou-se a existência de uma fenda de grandes dimensões na base do açude da Casa da Ribeira, que originou a perda da água represada pelo açude.” e que de acordo com o Jornal do Centro “causou a morte de vários peixes”. Conceição Azevedo, vereadora do ambiente, afirma que “Pode ter sido um animal que tenha feito ali ’um esburacado’. O buraco deslocou-se e passou para o outro lado”.

Preocupa-nos a frequência com que a fauna e flora do Rio Pavia são afectadas por constantes “acidentes” que sempre são tomados como alheios às entidades que deveriam ser competentes nesta matéria!”

A Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de Esquerda

Bárbara Xavier

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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