Objetos ou pessoas?

por Rua Direita | 2018.03.05 - 10:00

 

 

Dia após dia vemos a normalização da objetificação do ser humano aumentar, assistimos a um atraso civilizacional enorme num mundo que cada vez está mais propenso a discriminações. Ao normalizar a objetificação, normalizamos a discriminação.  

 

As famosas “ladies night”, onde cobram a entrada ao estabelecimento com base no género é aquele tipo de situação comum e aceite por quase todos que acarreta uma forte conduta sexista, a utilização da mulher como isco para gerar negócio. Sem dúvida que uma prática repetida há muito tempo pode converter-se numa falsa aparência de conformidade. A utilização da mulher como isco não é um privilégio, é uma afronta!

Quando falamos de igualdade convém entendermos que privilégios com base no género não entram. Igualdade é igualdade, e não pode funcionar só quando nos convém. Pode ser muito bom poupar uns trocos numa saída à noite, mas isto das entradas mais baratas para as mulheres é altamente discriminatório para elas, mas também para eles. Não faz qualquer sentido os homens serem penalizados no acesso a um estabelecimento, tal como não faz sentido a mulher ter desconto só pelo facto de ser mulher.

Talvez esteja na altura de assumirmos que este suposto benefício não passa de uma forma rentável de fazer dinheiro à custa da mulher, com o seu corpo e imagem, para atrair os homens que normalmente têm consumos de álcool mais elevados. Encontramos aqui um esquema de negócio bastante subtil, tal como um machismo normalizado.

Que consequências é que isto traz?

Da cultura machista entranhada até a menor possibilidade de arranjar um emprego. As consequências da objetificação têm sido intensamente estudadas ao longo dos anos. As pesquisas descobriram que a exposição de este tipo de imagem tem um impacto negativo sobre as perceções a respeito da mulher no dia a dia, e reforça mitos prejudicais sobre a violência doméstica. Estudos mostram que, por exemplo, depois de ver corpos femininos objetificados, os homens tendem a ver as mulheres como menos inteligentes e competentes, e expressam menos preocupação com o bem-estar físico ou com a segurança delas. Além disso essa perceção não é limitada apenas a mulheres sexualizadas; naquilo que é chamado de “Efeito Spillover“, essas atitudes machistas se estendem para a perceção de todas as mulheres, como um grupo, independentemente de suas roupas, atividades ou profissões.

No próximo dia 8 de março, será mais um dia da mulher. Uma ideia que surgiu no início do século XX nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas feministas por melhores condições de vida e de trabalho, e pelo direito a voto.

A luta pelos direitos das mulheres tem mais de um século, mas as conquistas continuam a não ser universais.

 

Diego Garcia

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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