Lúcia Silva apresentou a sua candidatura autárquica a Viseu

por Rua Direita | 2017.05.24 - 09:08

Do discurso de apresentação de Lúcia Silva, candidata do PS à autarquia viseense, que decorreu numa unidade hoteleira de Viseu e com a presença de mais de 250 militantes e simpatizantes, salientamos…

 

“O município de Viseu tem sido governado, praticamente desde o 25 de Abril, sempre pelos mesmos, sempre pelo mesmo partido (o PSD). As políticas monocolor sempre seguidas, são por demais contrastantes com a diversidade, generosidade e inteligência dos viseenses. Chegou o momento de mudar e o Partido Socialista e a minha candidatura tudo irão fazer para que assim aconteça.

O nosso compromisso é o de acrescentar valor a tudo aquilo que Viseu sempre teve de bom, procurando desenvolver e dando continuidade ao que está bem, mas sendo igualmente determinados em corrigir o que de menos positivo tem sido feito.

Viseu reúne todas as condições para polarizar, sem arrogância e muito menos com imperialismos regionais desajustados da realidade, em colaboração estreita com os concelhos integrantes da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, as aspirações deste vasto território. Para isso, é necessário contribuir para o reforço dos laços que nos ligam a todos os concelhos vizinhos, estimulando parcerias e dispensando quezílias inúteis.

Assumiremos a nível local uma política como um serviço para as pessoas, procurando que todos os munícipes tenham uma participação informada e ativa em todos os documentos estratégicos para o desenvolvimento do concelho. Connosco a “A cidadania ativa” não será uma estratégia de marketing para ficar na fotografia. Connosco as políticas de «cidadania ativa» serão socialmente transversais, contribuindo para uma mudança mais democrática e participada das pessoas na coisa pública e no governo do município.

Este compromisso com uma cidadania terá correspondência política no aprofundamento das práticas e montantes financeiros direcionados para o desenvolvimento do conceito de orçamentos participativos, na transparência da informação prestada aos munícipes, na abertura não condicionada a sugestões e reclamações nos processos administrativos, na transmissão direta das reuniões públicas do executivo e da assembleia municipal, na criação do Provedor do Munícipe.

Procuraremos, desta forma, arejar o ambiente político, retirá-lo de uma certa asfixia monocolor, onde o medo de ser do contra, por sugestão, condicionamento ou hábito, abunda, dando por vezes a ideia que o debate democrático sobre o melhor para o nosso concelho foi sendo progressivamente silenciado. A verdade é que existem mais realidades do que nos querem fazer crer e sermos governados sempre pelos mesmos vai deixar de ser uma fatalidade.

Queremos um concelho competitivo, capaz de atrair investimento e de gerar empregos sustentáveis. Na indústria, no comércio, nos serviços. Não nos resignaremos a ter um concelho que durante anos a fio viu o investimento e os investidores a procurar outros municípios para desenvolver os seus projetos empresariais.

A realidade não mente: o concelho de Viseu apresenta indicadores claros de regressão demográfica, de emigração persistente de quadros superiores jovens. O governo atual não pede como outros para que os jovens emigrem, mas sem empregos sustentáveis não se pode pedir aos jovens que permaneçam.

Há muito que o partido socialista em Viseu, os seus deputados municipais e vereadores sem pelouro, reclamam uma rutura com o paradigma de uma economia local assente nos serviços e no comércio de proximidade, fechada à indústria e aos novos investimentos tecnológicos.

Tudo faremos para tornar o nosso concelho uma referência na captação de investimento, utilizando uma diplomacia económica inteligente e persistente, com base num modelo fiscal amigo das famílias e das empresas.

Como temos vindo a defender, gostamos e orgulhamo-nos de habitar um concelho lindo, onde queremos e “dá gosto viver”, mas está na hora de podermos oferecer um município onde há empregos com qualidade e onde também se possa dizer sem sermos desmentidos que em Viseu «dá gosto trabalhar”, «dá gosto estudar», «dá gosto investir».

Na defesa destes objetivos, assumo aqui o compromisso que, independentemente do governo, os viseenses terão sempre em mim uma voz inconformada e reivindicativa.

Assumiremos a educação como um investimento estratégico e transversal, dando corpo a políticas ativas integradas de promoção do sucesso educativo e de combate ao abandono escolar. Faremos um combate sem tréguas ao insucesso e abandono escolar.

A cidade, o município, não se fazem com discursos ou publicidade, constrói-se com atos!

Viseenses – todos somos Viseenses -, mas o “Rossio” parece renegar as freguesias rurais!

Nas freguesias rurais é patente uma depressão demográfica agravada.

A falta de coesão territorial do município de Viseu tem vindo progressivamente a aumentar

Começam a ser evidentes carências de manutenção dos espaços e equipamentos públicos. E, pior, ainda há diversas infraestruturas básicas por implantar nas nossas freguesias rurais.

Não foram criados polos de desenvolvimento local para promover a atividade económica, social e cultural e a atratividade das freguesias rurais.

Apesar do aumento da taxa de natalidade, a população do Concelho começou a diminuir. Em Viseu parece ser evidente que a população ativa, qualificada e jovem começa a abandonar mais a sua terra!

A política fiscal da CMV seguida pelo PSD nos últimos anos está longe de ser amiga das famílias e não é pró-ativa.

A CMV beneficiou em muito das novas regras de IMI, porém, o aumento brutal desta receita não aligeirou o orçamento familiar por outras vias. A CMV não estimulou verdadeiramente a implantação de novas empresas ou a criação de empregos e uma maior atratividade do Centro Histórico  e das freguesias rurais.

De facto, a inconsequência, e a falta de efetiva implantação de obras e ações no terreno, que se adivinhava nos documentos emblemáticos iniciais, pulverizados pela ação política superficial do dia-a-dia, está bem visível,  passados estes 4 anos.

O rol de incumprimento de promessas – de obras – anunciadas de uma forma  pomposa  é imenso.

Este foi um mandato, que, depois do “peito feito” inicial, se desenrolou como um tempo demasiado imaterial, de marcas e imagem, de marketing e, essencialmente, propaganda, de anúncios e re-anúncios, de discursos e cerimónias, de assinaturas e protocolos, de stands e vídeos promocionais, de palcos e pendões, de momentos e eventos, de festas e celebrações ou festas e festanças, como já  de reconhecido  pelos viseenses. Mas tem sido igualmente um tempo de inconsequências, adiamentos, “inconseguimentos”, inação, inoperacionalização, etc.

Amigos e camaradas, nos últimos quatro anos, como sempre, na vereação e na Assembleia Municipal de Viseu, os eleitos pelo Partido Socialista, ainda que não abdicando de uma “marcação cerrada”, têm exercido uma oposição  responsável e construtiva.

A ação da C.M.V. foi politicamente fiscalizada. Foram feitas críticas assertivas à estratégia (estratégia entre muitas aspas) e à gestão autárquica de António Almeida Henriques, mas também foram feitos elogios quando merecidos.

“Curiosamente…”, o PSD tem até adotado muitas das propostas do PS. Vejam-se diversas ações anunciadas para a revitalização do Centro Histórico, a incubadora de empresas (entretanto  praticamente morta…), a requalificação dos bairros, a deslocalização da Polícia Municipal, a reconversão do Pavilhão Multiusos, etc., ETC.

Viseu merece, exige um novo tempo! Um tempo mais concreto!

Na plateia vislumbro jovens; menos jovens; homens e mulheres de várias idades, interesses e profissões. Vejo muito agentes locais. Vejo militantes do Partido Socialista, simpatizantes da minha candidatura, cidadãos independentes, com outras sensibilidades políticas, mas que se revêm neste projeto.

Como candidata à Câmara Municipal, comprometo-me a motivar-vos e a envolver todos os Viseenses. É esta nossa terra e são vocês o meu grande impulso!

Num período de mudança global acelerada, muito sensível ambiental, económica, política e socialmente, é imprescindível voltar para o terreno e “fazer”. Fazer!

Concretizar próximo das pessoas e em interação direta com os atores locais, sejam os presidentes de junta de freguesia, as IPSS, os clubes, as associações, as escolas, os empresários, os Viseenses.

Vários princípios, ideias e objetivos são param mim claros. Tenho uma prospetiva e conceção claras do que pretendo para a cidade e o município de Viseu.

Aproveito já este ato de apresentação da minha candidatura para deixar claro ao poder central, que serei intransigente no superior interesse dos Viseenses e da região. Por exemplo, revindicarei sempre a construção impreterível da ligação viária em autoestrada a Coimbra ou a ligação de Viseu à ferrovia!

Na constelação de Viseu há diversos clusters tradicionais que estão relativamente dispersos por vários polos industriais, Viseu pode e deve, ter um papel agregador e dinamizador, p.e. no que se refere à investigação e desenvolvimento, aos serviços e indústrias de apoio, à logística e aos transportes.

Viseu tem uma aptidão natural em termos plataforma logística que nunca foi bem explorada.

Para lá do interesse obsessivo… no Vinho do Dão, não tem havido um visão estratégica para encarar produtos endógenos que se podem constituir como clusters locais-regionais. Vide diversos produtos agrícolas, a fileira florestal (produção e transformação), as emergentes energias alternativas, a combinação da saúde-bem estar e do setor termal ou o macrocluster automóvel que gravita em vários núcleos industriais ao redor de Viseu.

Economicamente é também vital reassumir a nossa apetência comercial. Não é uma sina ou sinal dos tempos. Em Espanha e em cidades nacionais da escala de Viseu o comércio de proximidade está muito ativo. Aliás, aí as pessoas voltaram à rua!

Nas políticas sociais é fundamental fazer mais, muito mais! E o PS tem provas dadas neste sentido.

É vital promover um apoio e desenvolvimento social próximo das pessoas. Trabalhando também mais articuladamente em rede com as IPSS. Mas imediatamente a partir das estruturas da autarquia.

É necessário ampliar o quadro de pessoal  de ação social da CMV, a sua organização, as suas competências, seus recursos e a sua eficácia.

A economia social é uma das forças motrizes e empregadora do concelho, sobretudo das freguesias rurais! A economia social tem de ser acarinhada!

O quadro fiscal da CMV tem de ser revisto. Tem de ser mais equilibrado para as famílias e as empresas. Defendemos uma maior devolução de IRS, do atual 1% para 2,5%.

A política fiscal tem  que conter benefícios fiscais mais claros para atração de moradores e empresas para o Centro Histórico e as freguesias rurais.

Gostaria de referir que temos uma visão ampla e integrada da coesão territorial. Ela assume um desenvolvimento harmonioso entre o “Rossio”, o Centro Histórico, os bairros e as freguesias rurais.

Tem de ser implementado um programa coerente que vise a coesão territorial do município de Viseu através da requalificação, repovoamento e revitalização das freguesias rurais.

Para além de complementar as infraestruturas básicas, nas freguesias rurais importa criar politicas ativas – fiscais e outras – para a habitação;  implantar uma boa rede de transporte e infraestruturas de comunicação, construir e manter equipamentos sociais e urbanos. Nas diversas freguesias, de acordo com o seu potencial e tradição, têm de ser ainda criados polos de desenvolvimento local -geradores de emprego – baseados em atividade económica.

Estamos a desenvolver um conceito de Plataformas Rurais promotoras do desenvolvimento local nas freguesias rurais, incentivando o empreendedorismo social, associativo e económico. Serão aproveitados espaços devolutos nestes territórios, que envolverão articuladamente diversos agentes locais, o património histórico-cultural, o turismo, os clubes e as associações locais, os produtos locais, a sua produção e a sua comercialização.  Prometo brevemente apresentar esta proposta em freguesias rurais do concelho.

Viseu, tem uma combinação singular e privilegiada, com a sua geografia, a sua natureza, a sua história, a sua cultura, a sua economia, as suas instituições e as suas gentes.

Viseu pode ser (tem de ser) uma cidade/um concelho coeso social e economicamente, moderno, que estimule a investigação, a criação e a inovação. QUE FAÇA ACONTECER!

Como dizia o nosso Aquilino Ribeiro, “Alcança quem não cansa”!”

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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