Fogo nos BVV?

por Rua Direita | 2017.12.13 - 19:21

 

 

Realizou-se ontem a Assembleia Geral Ordinária da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Viseu, que terminou noite adiantada e com polémica pelo meio.

Ao que o Rua Direita apurou, por entre os diversos assuntos abordados e tratados, manifestou-se uma onda de contestação à Direcção.

Como ponto fulcral da OT, o Orçamento foi aprovado com 28 votos contra, 14 abstenções e 31 a favor. Destes, 5 foram por procuração e ao arrepio dos “Estatutos”, ou seja, votos “por representação” (pessoas que não estavam presentes). Hoje tentámos aceder no site da Corporação ao RI, apresentando-se-nos um página em branco.

Questionada a Direcção no decurso da agitada AG, esta não clarificou quanto paga ao director e vice-presidente, Luís Laginhas Vieira, nem quis referir os critérios subjacentes à sua contratação, tendo ainda explicado que na base da não recondução do Comandante “estava a sua exigência de comida em quantidade e qualidade, que era oferecida por um benemérito (O Lanxeirão), assim como a exigência feita por “alguém” da Protecção Civil Municipal.”

A nossa fonte referiu haver conhecimento de uma participação feita ao Ministério Público, no Tribunal Administrativo e outra que seguiu para os serviços inspectivos da ANPC.

Os actuais Corpos Sociais são:

Assembleia Geral

Presidente: Valdemar Gomes Freitas;

Vice-Presidente: Rui Manuel Lopes Melo;

1º Secretário: José Lapa Pessoa Paiva.

Direcção

Presidente: António Carlos Gomes Tomás da Costa;

Vice-Presidente: Luís Agostinho Laginhas Vieira;

Vice-Presidente: Ana Paula F. Simões Gomes Santana.

Conselho Fiscal

Presidente: José Alberto Costa Ferreira.

(transcrevemos apenas os principais nomes)

 

Entretanto o Rua Direita apurou ainda que “existem lacunas várias a nível de equipamento, desde carros de combate a incêndios e ambulâncias, muito carenciadas de manutenção, até às fardas de intervenção que foram oferecidas por uma empresa Suíça”, mas que tal não impediu a” aquisição de uma carrinha para deslocação dos dirigentes, da sede, em Viseu, para a Quinta do Ribeiro, em Rio de Loba e vice-versa.”

Pesquisando no site da AHBVV salientou-se-nos o seguinte documento:

Comunicado da AHBVV

Na sequência de notícias avulsas que nos têm sido trazidas ao conhecimento, quer pela comunicação social quer por cidadãos, incorretamente fundamentadas, que terão motivado ou servido de alicerce para comentários desajustados da realidade e desadequados, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Viseu, vem esclarecer o seguinte:

•       A direção da AHBVV em exercício não aceita, nunca aceitou nem aceitará qualquer interferência, seja de que origem for, nas suas decisões internas.

•       Apesar dos elementos que compõem os órgãos sociais da AHBVV, eleitos democraticamente, se identificarem com quadrantes político-partidários diversos, tal nunca influenciou, influencia ou influenciará as decisões da Associação, tomadas por sufrágio em reunião de direção.

•       No âmbito das competências e atribuições legais que nos são determinadas, não deixaremos no entanto de estar conscientes da necessidade de integração na estrutura da proteção civil municipal, nos termos legalmente estabelecidos.  

•       Quanto a questões internas e em particular quanto ao nosso comando, importa esclarecer, para abono da verdade, que a decisão e fundamentos da não recondução do Sr. comandante e sua participação ao mesmo, nos termos da Lei 249/2012 de 21 de Novembro, aquela foi feita primeiro pessoalmente e depois formalmente, tendo  a direção e comandante assumido o compromisso de reservarem entre si os factos que a consubstanciavam até porque está em curso o prazo de recurso de que se pode socorrer o senhor comandante. A direção honrará tal compromisso.  

•       A direção, como é seu dever estatutário, não deixará de participar aos seus associados, em sede própria e não na praça pública, a decisão sobre a não recondução do comandante, prestando-lhes todos os esclarecimentos pertinentes.

•       A direção homenageia e enaltece todos os comandantes que fazem parte da história da Associação, designadamente o Sr. comandante Luís Duarte, prestando-lhes vénia e agradecendo-lhes tudo o que fizeram pela Associação, pelos Bombeiros e pela comunidade, com envolvência pessoal abnegada e dando o melhor de si, pelos outros. O nosso bem-haja.

•       Importa também informar que a direção da AHBVV está a construir a nova Carta de Missão, no âmbito do projeto que apresentou a sufrágio e para o qual foi eleita, que submeterá à Autoridade Nacional de Proteção Civil, para execução pelo novo comandante. Tal carta será objeto de comunicação aos associados na próxima Assembleia Geral, num processo de absoluta transparência e legalidade.

•       A direção da AHBVV orgulha-se de, apesar de todas as dificuldades orçamentais, mas com o apoio das entidades beneméritas, da comunidade civil, dos Bombeiros e outros colaboradores e voluntários, conseguir honrar todos os seus compromissos, sendo que todos os seus funcionários receberam e recebem sempre, tempestivamente, os seus salários.

•       A direção da AHBVV repudia veementemente todas as informações que têm vindo a público, designadamente através das redes sociais, nomeadamente as de carácter injurioso e difamatório. Lamenta a direção os comportamentos referidos, que apenas denigrem o bom nome da instituição e a grande causa, acima de qualquer nome ou pessoa, que é o de prestar socorro e ajudar o próximo, pelos quais a direção e todos os órgãos sociais sempre lutaram, lutam e lutarão.

Vivam os soldados da paz.

Viseu, 30 de Outubro de 2017

A direção

 

Ou seja, e perante o aqui redigido, este “desentendimento” interno já vem de trás e, pelos vistos, terá um posterior desenrolar até as hostes consensualizarem as suas posições.

O Corpo Activo de Bombeiros da AHBVV, para poder dar cabal sustentação ao seu indiscutível lema “Auxilium in Periculo” e honrar como até aqui a sua História, carece de paz interna e das melhores condições para o exercício da sua Humanitária tarefa. Este é decerto o desiderato mor de todos os Viseenses e de todos os Bombeiros.

10 DE JANEIRO DE 1886

A nossa história começa numa reunião em casa de Manuel Casimiro de Almeida, escrivão da Câmara e dotado toureiro a cavalo. Nesta reunião decide-se a criação de uma comissão angariadora de fundos e uma comissão encarregue de elaborar os estatutos. Apresentam-se em público com as suas fardas no dia da Senhora da Anunciação, 25 de Março, como o dia do voluntariado de Nossa Senhora perante Deus para gerar o seu Filho.

Esta recente Companhia de Bombeiros Voluntários nem bomba tinha, nem para treino nem para incêndios. Acorria a ajudar os Municipais de Viseu. Em Fevereiro de 1886, foi o Casimiro de Almeida ao senado pedir à Câmara que os Municipais emprestassem bomba e material para os Voluntários treinarem enquanto não se comprava uma própria. Começava assim também a relação de camaradagem entre as duas forças de Bombeiros…

(Extracto transcrito do site da Corporação)

 

Na mesma fonte está ainda patente a “Mensagem do Comandante“, Luís Duarte, que entretanto não foi reconduzido nas suas funções:

“Enquanto Comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Viseu, é com enorme orgulho e satisfação, que dirijo esta mensagem a todos quantos visitam o novo site oficial da AHBVV.

Na qualidade de responsável operacional por este Corpo de Bombeiros, tudo farei com o empenho e a dedicação que sempre dediquei a esta nobre causa, dignificar esta Instituição, pelo que conto, com a colaboração de todos vós, Mulheres e Homens, que fazem parte dos diversos quadros do Corpo de Bombeiros.

Este novo quartel que constitui motivo de regozijo e reflete a nossa experiência, de mais de um século de atividade, configura-se hoje como um polo operacional de renovação e constante melhoria no saber fazer. Desta forma, continuaremos a dar uma resposta capaz, em termos de Proteção e Socorro às pessoas e seus bens.”

“Contem Comigo, eu conto com todos.”

Luís Manuel Tavares da Silva Duarte
Comandante dos Bombeiros Voluntários de Viseu

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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