E agora, Zé?

por Pedro Morgado | 2016.03.16 - 20:43

Manuel Custódio, antigo presidente da Câmara de Vila Nova de Paiva entre 2005 e 2009, chama-lhe “esclarecimento” contudo, dada a especial atenção e os “muitos mimos” com que tem sido brindado ao longo dos últimos meses por parte de alguns dos seus “antigos” adversários políticos, a entrevista concedida ao Rua Direita é também um grande “acerto de contas”.

Apesar das inúmeras alegações e da polémica alimentada pelo executivo liderado pelo socialista José Morgado e/ou pelo seu presidente na Assembleia Municipal Paulo Marques, não deixa de ser um anacronismo, ou talvez não, que, passados seis anos e meio desde o “assalto” bem-sucedido à cadeira do poder, as contas ainda não estejam saldadas.

Com a ida para a estrada das caravanas partidárias ainda a um ano de distância, a máquina do Partido Socialista (PS) já “finca o dente” no putativo candidato social-democrata. Manuel Marques Custódio, 60 anos, regressa em força à vida política depois de, em julho de 2015, ter sido nomeado presidente da Comissão Política Concelhia (CPC) do Partido Social Democrata (PSD). E, a continuar neste tom, José Morgado que se cuide.

Manuel “aprecia-lhe” não só o estilo como também a obra: um verdadeiro “presidente do paralelo e da manilha” que, no seu entender, só “atrofia o desenvolvimento do concelho”. Num discurso que se demora no pormenor e na resposta cabal às insinuações e acusações que, suportadas em alguns factos presentes no recente relatório do Tribunal de Contas (TC) que homologa finalmente as contas do município de Vila Nova de Paiva referentes ao ano de 2010, curiosamente o primeiro ano de mandato de José Morgado, têm tido eco na imprensa, Manuel Custódio enjeita a crítica e explica a necessidade dos contratos de factoring assinados com a banca para solver a dívida socialista herdada do mandato de Carlos Fernando Diogo Pires, o “padrinho” do atual autarca.

“Todas elas (dívidas) são do anterior mandato! (…) Todos estes factorings de que fala o presidente da Assembleia Municipal e dos quais fala também o presidente da Câmara, devem-se à pressão dos fornecedores/empreiteiros que (precisavam de receber os seus créditos) que já andavam nos balanços há dois anos e meio”, sustenta.

Se, é indiscutível que José Morgado tem moldado a paisagem de Vila Nova de Paiva ao longo dos dois últimos mandatos autárquicos, Manuel Custódio destaca-lhe a falta de fio condutor no desenvolvimento do concelho.

“Um mandato muito fraco. Vila Nova de Paiva (está) sem qualquer desenvolvimento, conforme foi deixada (por mim) em 2009. (…) Vila Nova de Paiva tem sido votada ao ostracismo por este presidente de Câmara. A vila está mesmo abandonada e com alguma sujidade”, reforça.

A obra é portanto polémica mesmo quando falamos de um concelho com a dimensão de Vila Nova de Paiva. Com um universo eleitoral que não ultrapassa os 7 mil votantes e uma taxa de abstenção que nas últimas eleições autárquicas ultrapassou os 50 por cento, certo é que, pelo andar da carruagem, a reeleição de José Morgado e uma nova vitória do PS não são favas contadas.

Nasceu na Covilhã. Licenciado em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação de Viseu, ocupa parte do seu tempo nas áreas ligadas às novas TIC’s.

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