Deputado do PCP visita Estabelecimentos de Saúde e constata degradação de instalações, carência de meios humanos e materiais.

por Rua Direita | 2018.03.27 - 21:01

 

 

Do Centro de Saúde de Mangualde, ao SUB de S. Pedro do Sul, passando pelo Hospital de S. Teotónio e pela Extensão de Saúde de Santa Cruz da Trapa, a visita de Miguel Tiago permitiu verificar no terreno, a degradação progressiva das instalações, dos equipamentos médicos e do material, a carência generalizada de pessoal médico, de enfermagem e auxiliar, a sobrecarga horária e de serviço dos profissionais da saúde, com evidente prejuízo das populações e do prestígio do SNS.

No Centro de Saúde de Mangualde, os responsáveis que receberam a delegação do PCP, enfatizaram as reclamações constantes no abaixo-assinado que os funcionários das Unidades Funcionais sediadas no edifício dirigiram ao ACES Dão Lafões e à ARSCentro, solicitando a reconfiguração do sistema de aquecimento de águas sanitárias em todas as salas, a renovação da frota automóvel que permita responder com eficácia ao serviço domiciliário e ao transporte de resíduos hospitalares, a climatização do edifício com instalação de Ar Condicionado, a concretização da reparação do telhado para estancar as infiltrações pluviais evitando o actual recurso a baldes, sempre que chove, para impedir o alagamento das instalações.

A necessidade de investimento no aparelho de RaioX por forma a dotá-lo de sistema de digitalização das chapas, permitindo desse modo, a celeridade, embaratecimento e mais rápida circulação dos diagnósticos, a colocação de mais um médico para responder à necessidade de cobertura dos 1.700 utentes actualmente sem médico de família, foram outras das questões colocadas ao deputado Miguel Tiago.

No Hospital de S. Teotónio, a delegação do PCP foi recebida pela administração do CHTV, a quem tinha sido solicitada uma visita específica ao espaço das Urgências, que se concretizou com acompanhamento dos profissionais responsáveis por essa área sensível.

Questionada a Administração sobre o início das obras de ampliação e criação da nova área de atendimento das Urgências do Hospital de S. Teotónio,  foi apontado por esta  o mês de Junho de 2018, como data prevista para o início das obras.

Já sobre a pergunta relativa à construção do espaço para instalação da Radioterapia e criação do Centro Oncológico de Viseu, a resposta não foi elucidativa, pelo que o Grupo Parlamentar do PCP na AR, irá questionar o Ministro da Saúde sobre o assunto.

Reportando a informação do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e as preocupações do PCP, a Administração do CHTV, reconheceu a carência de enfermeiros, que estima em 57 e o atraso no pagamento de 20 mil horas de trabalho extraordinário a estes profissionais de saúde, bem como o défice de médicos especialistas, principalmente nas áreas de Urologia, Dermatologia e Neurologia, causa directa, afirmam, da espera de cerca de 3 anos pela marcação de consulta.

Confrontados com a falta de condições, para receber e albergar utentes, das instalações do Hospital Psiquiátrico de Abraveses, foi-nos dito que apenas estão previstas obras de “cosmética” para o local, pelo que Miguel Tiago se comprometeu a questionar o Ministro da Saúde, sobre esta situação.

Em Santa Cruz da Trapa, Miguel Tiago e a delegação do PCP, tinham à sua espera uma pequena multidão, mobilizada pelos promotores do abaixo-assinado, em que se reclama o retomar da realização regular de consultas médicas na Extensão de Saúde local, pertencente à UCSP de S. Pedro do Sul, e que serve, para além da Freguesia de Santa Cruz da Trapa e S. Cristóvão de Lafões, também Manhouce, Valadares, Serrazes e Carvalhais.

Esta população encontra-se privada de um médico de família desde o pretérito mês de Novembro de 2017, quando a médica que servia os cidadãos inscritos naquela extensão de Saúde foi transferida, agravando o problema que se arrasta desde 2015, quando esta unidade de saúde tinha dois médicos afectos.

Reunidos nas instalações da Extensão de Saúde, onde já se encontrava Isabel Rodrigues, Directora do SUB, os presentes exibiram cartazes manuscritos reclamando a colocação do médico em falta. De viva voz foram apresentando as suas justas razões,  como a de serem maioritariamente uma população envelhecida e de parcos recursos económicos, tal como o facto da sede do Concelho ser distante, não dispondo eles de meios de transporte com horários adequados para se deslocarem a S. Pedro de Sul para obterem cuidados médicos. A situação descrita compromete seriamente a já de si precária e frágil condição de vida destas populações, isoladas nestas terras serranas. Foram narradas situações que dão conta de utentes que se encontram privados, para além da consulta médica, da subsequente prescrição de medicação, o que compromete seriamente a saúde e mesmo a vida destas pessoas.

Ficou o compromisso do PCP, de tudo fazer, com o apoio e a luta da população, para que a Extensão de Saúde de Santa Cruz da Trapa, volte a dispor de dois médicos em permanência.

Na reunião mantida no SUB de S. Pedro do Sul, participou Luís Soveral, Director do ACES Dão Lafões, que foi confrontado por Miguel Tiago, com a grave situação vivida pelos utentes da Extensão de Saúde de Santa Cruz da Trapa. Perante a insistência da delegação do PCP, Luís Soveral, garantiu que, no próximo dia 2 de Abril, entrará ao serviço um médico permanente na Extensão de Saúde de Santa Cruz da Trapa. O PCP irá apelar à população para que se concentre nesse dia 2 de Abril, junto às instalações da Extensão de Saúde, para aferir da veracidade da promessa. Caso ela não se cumpra, os utentes marcharão para Viseu, ao encontro de Luís Soveral.

Na reunião mantida no SUB de S. Pedro do Sul, foi ainda manifestada por Isabel Rodrigues, preocupação com a não definição do corpo clínico, com o funcionamento deste serviço no período de férias, dada a exiguidade do pessoal, com a falta de manutenção e ausência de elementos básicos nos equipamentos, como por exemplo, baterias para fazer funcionar o desfibrilhador, com a ausência de climatização dos espaços, a precariedade do pessoal da limpeza, a burocracia da validação dos horários, a negação do direito de abono para falhas ao pessoal administrativo que recebe as taxas moderadoras e a necessidade de mais um médico permanente para responder ao volume de consultas e cuidados de saúde básicos.

Como foi referido, Miguel Tiago e o Grupo Parlamentar do PCP, dirigirão agora ao Ministro da Saúde todas as perguntas consideradas pertinentes, em face das preocupações e factos recolhidos.

 

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