CIM DOURO – Uma referência… também cultural

por Rua Direita | 2018.07.31 - 21:32

 

 

Decorreu ontem na Igreja Matriz de Torre de Moncorvo a apresentação e assinatura do projecto cultural “Oito Mãos – Monumentos Com Música Dentro”.

 

Este projecto, na sua IVª edição, vai percorrer os 19 municípios integrantes da CIM Douro. São 19 concertos noutros tantos concelhos. Mais adiante explicaremos o conceito pela boca do seu promotor cultural, Rui Fernandes.

A Igreja Matriz de Torre de Moncorvo foi o cenário ideal para o evento, na sua oponente monumentalidade. Os anfitriões foram o autarca local, Nuno Gonçalves, vice-presidente da CIM e o seu presidente, Carlos Silva Santiago, também autarca de Sernancelhe.

Estiveram presentes autarcas de outros municípios e o secretariado executivo da CIM, assim como vereadores e comunicação social.

Nuno Gonçalves começou por dar as boas vindas e acerca desta comunidade referiu que ela..

“Visa criar raízes e dar a conhecer um território que é a CIM Douro. As comunidades locais não têm muitas vezes conhecimento do que é esta comunidade intermunicipal do Douro, que é tão só a maior destas intercomunidades, com 205 mil habitantes, sendo supra municipal e dotada de uma série vasta de competências, como esta assinatura do contrato para aquisição dos serviços que englobam 19 espectáculos…”

Nuno Gonçalves acabou com um pequeno recado: “A Torre de Moncorvo está 365 dias à V espera para bem vos receber.”

De seguida usou da palavra Carlos Silva Santiago, presidente da CIM Douro, agradecendo a hospitalidade propiciada pelo seu colega e referindo quão impressionado ficava sempre com a imponência do monumento que os acolhia.

Teceu ainda as seguintes considerações:

A cultura e a educação são dois pilares fundamentais para o desenvolvimento do território. Não é por estarmos no interior profundo que deixamos de almejar aceder-lhe e estas são duas bandeiras fundamentais para a sua afirmação.

O Douro é vastíssimo em património natural e imenso em património arquitectónico. Não estamos hoje e aqui perante um banal qualquer projecto , situamo-nos num vasto e conhecido território, mas temos necessidade de constantemente apostar na sua promoção. Nesse sentido, cada concelho vai receber nos seus mais expressivos monumentos um momento musical heterogéneo, do jazz à música erudita, com um denominador comum: a enorme qualidade, com o objectivo de juntar a cultura musical à cultura legada pelos nossos antepassados.

Nesse sentido, os 19 autarcas decidiram por unanimidade aprovar este projecto, cientes do contributo de valorização que ele contém e da vontade de divulgar o seu património e de trazer gente ao seu território. Daí, porque não usar a música para tal efeito? Monumentos com música dentro, esta é a essência deste vasto e ambicioso evento e, parafraseando um amigo meu, “nós esfregamos os olhos de esperança neste projecto” e deixamos aqui um sinal para o Ministério da Cultura, DGC, CCDR-N… para que possam perceber que os autarcas estão a dar este primeiro passo e estão à altura dessa grande divulgação, carecendo apenas de uma pequena ajuda/contributo para mais e melhor fazermos por este território, onde a atracção principal não é apenas o vinho e o turismo… é também a cultura.”

Usou da palavra de seguida o promotor cultural deste projecto, Rui Fernandes que e para a Rua Direita, em exclusivo e mais tarde deu a entrevista seguinte:

RD: A Rua Direita está com Rui Fernandes, que é o mentor deste projecto comum patrocinado e incentivado pela CIM Douro. Quem é Rui Fernandes?

RF: Eu sou um programador cultural, natural de Vila Real e que calcorreia o território em busca de ideias e de projectos para os funcionalizar na senda da divulgação cultural, pelo maior número de locais possível.

RD: Este projecto “Oito Mãos – Monumentos Com Música Dentro”… Porquê este título?

RF: São exclusivamente quartetos que actuam neste festival. Fomos buscar esta formação por ser a mais notável em termos de história da música. Depois, queríamos que esta música promovesse também o nosso território. Solicitámos que estes concertos fossem feitos apenas em património classificado pela sua importância e/ou em património de interesse municipal.

RD: Há pois uma interligação harmónica entre duas formas distintas de cultura: o património enquanto matriz e raiz territorial e a música enquanto forma elevada artística, neste caso de uma grande heterogeneidade em termos de registos. Quais os critérios que subjaceram a esta escolha e a sua adequação a cada monumento concelho?

RF: Pertenceu ao município dizer-nos qual era o seu património, aquele que gostariam de promover e divulgar neste festival, e também de acordo com as suas características acústicas e espaciais. Vou dar-lhe dois exemplos distintos: O Teatrinho da Régua vai receber um quarteto Psychadelic Lemon, de rock psicadélico. Nós não poderíamos por este quarteto na Igreja Matriz de Freixo de Espada à Cinta, que receberá o Claustrus Ensemble. Temos respeito pelo património e por aquilo que ele significa. Outros monumentos receberão quartetos de música mais erudita…

RD: O Rui Fernandes tem a noção de que um monumento não é algo de fechado, mas pelo contrário um espaço aberto à população aos visitantes, sendo também um espaço de atracção e de estímulo à visita…

RF: Em alguns sítios deste território do Douro, a única sala onde se pode fazer uma divulgação cultural regular são as igrejas matrizes e são as capelas. Tendo sempre respeito pela “casa” onde estamos, era útil abrir as mentes e deixar entrar música, não só a sacra, nesses espaços, porque não me parece nada ofensivo ouvirmos Piazzolla numa igreja…

RD: Rui Fernandes desejamos o maior sucesso e uma evolução em crescendo.

 

Seguiu-se uma visita-guiada pelo padre Rui, que nos permitiu ver com clareza a monumentalidade da “sua” Igreja Matriz.

 

Nota: Amanhã a Rua Direita editará a entrevista com o presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, o advogado Nuno Gonçalves.

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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