BE – Viseu: Peixes mortos no Rio Dão

por Rua Direita | 2017.09.26 - 15:23

 

No sábado, 23 de setembro, milhares de peixes foram encontrados mortos num troço de 900 metros do rio Dão, entre a Quinta do Morango, em Fragosela, e as praias do rio de Alcafache.

As autoridades foram alertadas e SEPNA Viseu visitou o local na manhã de domingo para avaliar a situação. Após a observação, a morte maciça dos peixes foi atribuída à falta de oxigénio, sem que tivessem sido feitas recolhas.

Os habitantes locais crêem sobre que alguma forma de poluição química ou falta de oxigénio resultante dessa poluição, possam ser a causa mais provável.

Antes de qualquer informação “oficial” sobre a causa da morte de milhares de peixes seja tornada pública, o elemento não natural que pode ser claramente observado neste trecho de 900 metros do rio Dão é a abundância de algas que foi claramente visível durante semanas na praia em Alcafache.

Depois da morte dos peixes, o SEPNA visitou o local sem que tenham recolhido amostras da água e dos peixes mortos e os açudes (que existem para manter o nível da água) foram abertos para permitir que a água e muitos dos peixes mortos escorressem, rio abaixo. Com as comportas abertas e pouca água pode-se verificar que a parte que esteve submersa possui a cor verde escura das algas, algo que não se verifica acima e abaixo deste trecho do rio.

A grande diferença entre este pedaço de rio e as áreas acima e abaixo é a falta de oxigenação fornecida pelos rápidos e água de fluxo contínuo. A água permanece em grandes áreas por longos períodos de tempo, o que é o caso de Alcafache.

Combine-se isso com: 1. um verão muito quente e seco e, 2. o facto de haver muito material orgânico no rio Dão devido à falta de tratamento de água a montante e temos uma “tempestade perfeita” causando uma proliferação de algas que pode ser letal para os peixes.

Num ambiente natural, inalterado pelos humanos, isso também pode acontecer, mas é muito menos provável. O ecossistema do rio Dão é alterado por barragens, açudes e descargas de águas residuais que alteram a qualidade e a quantidade de água.

Cabe-nos a nós, conhecendo esses factos, fazer o que pudermos para sustentar a vida no e ao redor do rio.
Esperemos que as autoridades locais estejam à altura do ocorrido.

 

[Freya van Dien, gerente Moinhos do Dão Eco Quinta]

 

 

Nota: Foto DR

 

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

Pub