A rambóia é de Viseu…

  Dizem que tem origem obscura, o vocábulo “rambóia”. Respeitamos a opinião dos doutos filólogos, mas discordamos. A rambóia vive em Viseu… Pândega, farra, galhofa, boémia, estroinice, vida airada, reles, de pouco valor, dizem-nos os dicionários da Língua Portuguesa ser desta palavra os sinónimos. Estamos de acordo. A vida airada parece ser único cunho impressivo […]

  • 12:13 | Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2018
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Dizem que tem origem obscura, o vocábulo “rambóia”. Respeitamos a opinião dos doutos filólogos, mas discordamos. A rambóia vive em Viseu…

Pândega, farra, galhofa, boémia, estroinice, vida airada, reles, de pouco valor, dizem-nos os dicionários da Língua Portuguesa ser desta palavra os sinónimos. Estamos de acordo.
A vida airada parece ser único cunho impressivo da acção que este executivo camarário cria e implementa. Quase como uma virose ou uma peste. Parece estar-lhe no ADN ou no ADN do pontificante vereador da cultura e do turismo, “o homem que manda na Câmara”, no dizer suspeito do Compadre Zacarias que entende “ser o espectáculo a única forma de comunicação encontrada por esta maltesia”.
Parafraseando Vargas Llosa *, “O que quer dizer civilização de espetáculo? A de um mundo onde o primeiro lugar na tabela de valores vigente é ocupado pelo entretenimento e onde divertir-se, fugir ao aborrecimento, é a paixão universal. Este ideal de vida é perfeitamente legítimo, sem dúvida (…) Mas converter essa propensão natural para passar uns bons momentos num valor supremo tem consequências inesperadas: a banalização da cultura, a generalização da frivolidade…”
De acordo, banais e frívolas têm sido, quase sem excepção, estas sistemáticas arremetidas farra adentro, enroupadas de cultura “pour épater le bourgeois”  e assim adereçadas para atração do turista que tarda e teima em não vir.
No fundo, uma mera transformação da “cultura” em propaganda política substituindo ideias inexistentes pela publicidade e pela aparência
Ou então, talvez e no dizer de Vargas Llosa, em sentido universal, aquilo que apelida de  “Uma comédia de fantoches capazes de se valer das piores artimanhas para ganhar o favor de um público ávido de diversão.
Hoje, já não se espera do executivo viseense uma única ideia consistente, social e de melhoria de vida dos munícipes. Hoje, espera-se do executivo viseense, saber qual vai ser a próxima pândega, a festarolice que se segue no “carnet de bal” do Sobrado, eleito “mestre de cerimónias” da corte do Rossio.
Por isso e para já, o ano de 2018, copiando uma ideia desgastada, fará (?) de Viseu “A cidade europeia do folclore”. Que bom. Gostamos de folk.
E a seguir, porque não “A cidade europeia da Preocupação Social”? Ou “A cidade europeia do Munícipe”? Ou “A cidade europeia das Freguesias“?, agora que até tem assessor para o efeito nomeado…
Vargas Llosa, ainda e numa visão global do “espectáculo” é conclusivo: ”Os palhaços e os cómicos, convertidos em maîtres à penser – diretores de consciência – da sociedade contemporânea, opinam como o que são…
 
 
* in  “A Civilização do Espetáculo”, Quetzal Ed.


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