“A continuar assim, o que será do Interior de Portugal daqui a 20 anos?”

por Rua Direita | 2017.12.15 - 16:19

 

 

O que une o presidente dos autarcas social democratas e presidente do município da Guarda, Álvaro Amaro ao presidente dos autarcas socialistas e presidente do município de Vila Real, Rui Santos?

O que junta o presidente dos Reitores das Universidades Portuguesas, Fontaínhas Fernandes e o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos de Portugal, Nuno Mangas?

O que congrega Rui Nabeiro do Grupo Delta, Fernando Nunes do Grupo Visabeira e Silva Peneda ex-presidente do CES?

A resposta é-nos dada no site do Movimento:

“Combater esta desertificação dos territórios do interior é hoje uma causa nacional e, por isso, se impõe um grande consenso político para levar à prática esse pequeno conjunto de medidas que este movimento pretende com a ajuda de todos e com o alto patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República apresentar ao país durante o primeiro semestre de 2019”, será o denominador comum.”

Ontem em Viseu, na sua primeira reunião formal, o Movimento apresentou Jorge Coelho, Miguel Cadilhe e Pedro Lourtie como coordenadores para as políticas territoriais, fiscais e na área da Educação.

Pode ler-se no site desta iniciativa http://www.movimentopelointerior.org/?p=297#more-297 

 

De acordo com projeções do Instituto Nacional de Estatística, a população residente em Portugal tenderá a diminuir até 2080, passando dos atuais 10,3 para 7,5 milhões de habitantes, ficando abaixo do limiar dos 10 milhões em 2031. Segundo dados do Banco Mundial, em termos relativos, só em 2014, Portugal registou a quinta maior perda populacional do mundo. Acresce a esta preocupação o facto de, segundo o INE, 50% da população se concentrar em 33 municípios da faixa litoral, que representam apenas cerca de 11% do total dos municípios portugueses.

Perante um país em que as disparidades e os desequilíbrios territoriais são cada vez mais gritantes, torna-se imperiosa uma atitude firme contra a decadência absoluta das políticas públicas em vigor.

O cenário atual dita, não só uma desmesurada concentração de pessoas (a densidade populacional em territórios urbanos é 19 vezes superior à verificada em áreas rurais), mas também de recursos e de serviços e de avultados e crescentes volumes de investimento em infraestruturas de todo o tipo que acabam por se revelar serem sempre insuficientes.

Uma economia de aglomeração que restringe um desempenho mais descentralizador da política nacional e que tem conduzido ao facto de, praticamente em todas as regiões do país, à exceção de Lisboa, a riqueza média por habitante ficar abaixo da média da UE. A pergunta impõe-se:

A continuar assim, o que será do Interior de Portugal daqui a 20 anos?

Os diagnósticos estão feitos e não podemos perder mais tempo. Impõe-se uma nova forma de lutar e de combater as injustiças económicas e sociais.

É esse o principal objetivo destas sete personalidades, ao solicitarem o alto patrocínio a Sua Excelência o Senhor Presidente da República para a criação de um Movimento pelo Interior – em nome da coesão.

Pretende-se que venha a ser um Movimento que, após a sua institucionalização, seja naturalmente aberto a todas as personalidades e instituições que queiram aderir para que se defina, em concreto e bem faseado no tempo, um pequeno conjunto de medidas de políticas públicas e que, num prazo de 12 anos (3 legislaturas), seja clara a reversão da situação que hoje se vive nos territórios do Interior.

Será criado um Observatório que colabore na monitorização das políticas públicas, particularmente orientadas neste sentido, para além das propostas concretas das referidas novas medidas.

Serão depois realizados cinco debates regionais e um grande debate nacional em Lisboa.

 

Nota Final:

A Rua Direita lamenta terem deixado de fora António Almeida Henriques, o autarca que tanto e tão proficuamente tem lutado pela exterioridade do interior e João Cota, o empresário dos empresários, tão filantropica e devotadamente empenhado em Grupos de Missão, pelo Portugal profundo.

Duas personalidades sub-aproveitadas, dotadas de um precioso know-how, tão inexplicavelmente menosprezado, neste Movimento nacional.

A nossa solidariedade para com estes “excluídos”.

 

(Foto DR)

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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