16 Anos de Douro Património Mundial – A “estreia” de Carlos Silva Santiago como presidente da CIM DOURO

por Rua Direita | 2017.12.15 - 13:20

 

 

Decorreu ontem em Vila Real a cerimónia comemorativa dos 16 Anos de Douro Património Mundial, com uma Sessão Evocativa nos Claustros do Edifício do Governo Civil de Vila Real.

 

Depois da recepção dos participantes, seguiu-se a sessão de abertura com as alocuções de Rui Santos, presidente da Câmara de Vila Real, Armando Moreira, presidente da Liga dos Amigos Douro Património Mundial e Carlos Silva, presidente da Câmara de Sernancelhe e presidente da CIM Douro.

Seguiu-se a apresentação do filme “15 anos de Douro Património Mundial” e a apresentação da iniciativa SOMOS DOURO com a intervenção da respectiva Comissária, Anabela Mota Ribeiro.

Foi ainda apresentada a publicação”10 Anos Prémio Arquitectura do Douro”, por Cláudia Costa Santos.

Antes de encerramento com um Brinde ao Alto Douro Vinhateiro Património Mundial, intervieram, Freire de Sousa, presidente da CCDR-N e a secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Fernanda Rollo.

Do discurso do presidente da CIM Douro, Carlos Silva, destacamos:

O Douro tem milénios de existência.

Se hidrograficamente o seu curso unia e une Sória ao Porto, Espanha a Portugal, nos seus quase mil quilómetros fluviais, hoje, ultrapassando as margens físicas do seu leito, tornou-se num precioso património da humanidade e factor de coesão e reconhecimento de um imenso património intangível.

Longo, mais longo que o seu curso foi este percurso diacrónico. Mais longa foi a rota do reconhecimento.

Mais moroso foi consciencializar os territórios, os seus habitantes, o País e os Governos do valor inestimável e fundamental que representa, da riqueza que carreia, da História que enferma e, no fluir secular, produziu e gerou.

Se as grandes vias fluviais foram desde os primórdios dos tempos um determinante factor de agregação populacional e da consequente sedentarização humana, pois propiciadoras da linfa vital para beber, comer, regar e fertilizar, o Douro é também, no seu curso navegável, um ancestral meio de comunicação para as populações ribeirinhas, uma rota de escoamento e comercialização dos produtos aí gerados e hoje, mais que nunca, uma pródiga senda turística.

O Douro dá a água, a terra a sua essência xistosa, a meteorologia o clima apropriado. Desta tríade de indeclináveis factores naturais nasceu, por mão sábia e suor ardente do Homem, o melhor vinho do mundo, o Vinho do Porto, neste berço gerado.

(…)

Da Beiroa região a Trás os Montes, este nosso Douro são os 19 concelhos que integram esta imensa região de Portugal.

São centenas de monumentos que explicam a história e evolução do nosso País.

São Castelos, solares, igrejas, conventos, pontes e estradas, de norte a sul, de um extremo ao outro, comportando riquezas patrimoniais entre as regiões de excelência.

Há pois que saber olhar para esta monumentalidade, e encontrar nela a linha de futuro para todos os concelhos, por igual, com as mesmas oportunidades, e acreditando que este património da humanidade é agregador e potenciador deste Douro.

Há pois que entender as diferenças desta região como a sua maior riqueza.

Uma riqueza de um território que merece, de todos nós, um olhar e uma dedicação igualmente atentos, que poderá alavancar todas as suas potencialidades neste Douro Património da Humanidade.

No fundo, cabe-nos a missão de sabermos descentralizar dentro da própria região, de distribuirmos os momentos mais marcantes pelos concelhos mais periféricos; de organizarmos cerimónias em concelhos mais pequenos; e de planearmos ações em locais do nosso Douro que, estando tão perto geograficamente, na realidade parecem arredados do sucesso e do dinamismo do Douro.

(…)

O Douro, no seu leito rumoroso e agitado, nas suas margens escarvadas, nas suas socalcadas arribas e vertiginosas escarpas é o retrato de um povo, do seu carácter e a alma mater das suas VICISSITUDES.

(…)

O Douro, porém, não pode nem deve viver à custa de um passado glorioso e de uma Natureza propícia.

O Douro carece permanentemente de uma acção revitalizadora profunda e exige a maior atenção dos governantes. Não só para ampliar a sua grandeza passada, para potenciar a sua riqueza, mas, essencialmente para encarar os inúmeros desafios que a atualidade nos coloca a uma vertiginosa velocidade.

O inquantificável potencial do território duriense deve ser encarado como um gerador de progresso e riqueza local, mas e também à escala nacional, ter mais retorno no reconhecimento dos poderes públicos, nesta era vertiginosa em desafios, crónicos e constantes.

Vivemos tempos urgentes, carentes de visão profiláctica para encarar e encontrar respostas atempadas para as profundas alterações climatéricas que podem secar e pôr termo a esta fonte hídrica vital.

Por isso, a glorificação do seu passado histórico é uma ponte fulcral para o seu presente, sem olvidarmos que somos aqueles que, hoje, detêm a responsabilidade, a obrigação e o dever de traçar as vias que nos conduzirão a um futuro mais rico, mais potenciado, mais ecológico, mais sustentável. Essa é a herança a legar aos vindouros…

Sermos Património da Humanidade, da Unesco, essa grande sede, da Educação, da Cultura e da Ciência mundial é uma fonte incessante de responsabilidade, mas também uma pesada comenda.

Todavia, é também o estímulo e o reconhecimento para empreendermos tudo quanto ao nosso alcance estiver, nomeadamente atrairmos o olhar desatento do Poder para o muito que ansiamos fazer.

Temos a Natureza e o know-how connosco, temos as ideias e os investidores. Carecemos prementemente de programas e de fundos comunitários para a sua atração, agilização, empreendimento, concretização e difusão.

Falta-nos a atenção do Estado, materializada em mais do que palavras e para além das promessas.

Há recursos a investir nesta duriense região;

há previsões a fazer com urgência;

há uma riqueza hídrica desajustada na balança do deve e do haver, que urge renegociação;

há um potencial turístico que carece de mais ampla visão e repartição.

(…)

Nesta nova reprogramação do quadro comunitário em curso temos de ser intransigentes na exigência, no respeitante à aplicação com eficácia para afirmação do território e, com ela, atingirmos a linha fundamental de convergência nacional, superando meros pretextos argumentativos sem substância.

O Douro é um território com mais de duzentos mil habitantes, uma região inclusiva, onde todos, sem exceção, deram e dão o seu contributo diário para a sua identidade atual.

Por isso, o Douro deve estar à disposição de todos quantos com ele se queriam identificar, desenvolver e crescer.

(…)

O desafio é grande. Inclui a ciência e a tecnologia, a cultura e o conhecimento, o campo e a cidade, os municípios e as associações, os organismos estatais e os regionais. Só com todos o Douro reganhará a centralidade e a vitalidade que a história confirma e o futuro exige.

E nesta hora de invocar uma efeméride tão relevante, importante será termos presente que o Douro, também nos territórios apodados de baixa densidade, se potenciado na sua riqueza, deve ser partilhado territorialmente por todos quantos são dele parte integrante, começando até e por mera sugestão, a descentralizar alguns eventos e a conceder-lhes a dinâmica do movimento que os deve levar, como se unidos e guiados por um fio condutor, a todos os 19 municípios desta Comunidade, gradual e sucessivamente, visando potenciar os elos que lhe darão mais força, vitaminando a sua pródiga identidade e dela fazendo emergir estuante o comum orgulho dessa partilha.

Na nossa singularidade somos frágeis vimes. Juntos somos difíceis de vergar, ganhamos a escala de que precisamos e atingiremos os objectivos a que nos comprometemos.

É-nos imperiosa a união suprapartidária, a superação das perspectivas solitárias e dos enfoques egocêntricos…

Só assim teremos a força geradora da estuante e profícua acção comum.

(…)

Seria ingrato e desmemoriado se, aqui e neste momento, não deixasse uma referência de apreço, uma palavra de gratidão e uma sentida homenagem a todos quantos aqui nos trouxeram e a este patamar nos conduziram.

Não se atinge o estatuto de Património da Humanidade sem o profícuo empenhamento, a luta constante e o trabalho instante de quantos nos antecederam. E foram muitos.

A maior riqueza do Douro são as nossas gentes, as nossas pessoas, que alimentam o sonho comum.

(…)

A intervenção integral de Carlos Silva, filmada por Hélder Lopes…

Posted by Helder Lopes on Donnerstag, 14. Dezember 2017

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