Viseu visto do hemisfério sul

por Fernando Figueiredo | 2018.02.01 - 11:05

“Que da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
passaram ainda além da Taprobana”

É na grande epopeia portuguesa “Os Lusíadas” que Luís de Camões canta os grandes feitos da Nação. Muitos séculos após tal odisseia, por mares ainda pouco navegados, no outro lado do mundo, escrevo estas linhas. O leitor, possivelmente, não imagina, a quantidade de Portugueses que se encontram por estas ilhas e territórios, pequenos e pacíficos paraísos em pleno Pacífico. Destes últimos anos, fica-me a ideia que será possível encontrar um português em qualquer canto do mundo, em qualquer aeroporto, estamos em todo o lado. O principal sentimento que nos une é o orgulho em sermos portugueses.

Estar longe, ao invés de afastar, parece reforçar os laços afectivos que nos ligam às nossas origens e aos nossos (sejam eles familiares, amigos, conterrâneos).  É com mais empenho que se procuram notícias da nossa terra, com mais afecto que abraçamos os nossos, com mais gosto que apreciamos petiscos, vinhos, café e a conversa na língua de Camões. Portanto, é de longe, mas com Viseu no coração que envio o resumo dessa leitura.

E sobre Viseu o que há para dizer? Calma, que a prosa se não esgotará nesta crónica. Com o distanciamento de quem está longe, sempre fiel aos princípios de quem exige mais e melhor aos detentores de cargos públicos, tentarei deixar aqui a minha opinião, de forma regular, sobre a actualidade local.

Sobre Vissaium, dito assim fica mais fino, parecendo que nada muda, muito há a dizer. O marasmo económico, o recuo populacional, as tragédias evitáveis,  o envelhecimento, o baixo poder de compra, a incapacidade em reformar o IP3, a política municipal que se esgota em eventos, são o reflexo da ausência de poder e figuras políticas relevantes no âmbito local.
Estamos a meio do “Plano a dez anos para Viseu” de Almeida Henriques e até ao momento não há um feito para mais tarde recordar. É crível que esse plano existia apenas na cabeça do autor, afinal de contas nunca foi tornado público. Muito provavelmente, tendo em conta o historial do autarca, o melhor mesmo é não haver obra ou corremos o risco de as pagar com juros elevados.

É impossível terminar, por agora, sem acrescentar duas palavras sobre o PS.

A última eleição concelhia é um caso de justiça poética: Ginestal criou um “monstro”, este desenvolveu vontade e apetites próprios. Para derrotar tal “criatura” é enviado um idiota útil que, por mera coincidência, é irmão do criador. Ambos, idiota e criador, acabam derrotados. Estão prometidos novos capítulos, por cá ficarei atento.

Pedro Baila Antunes é um caso excepcional entre socialistas, sendo merecedor do mais sincero elogio. Imagine o leitor o que é fazer um trabalho sério, mostrar vontade, inteligência, competência e modéstia, quando se está rodeado por imbecis que tentam resolver a vida na política ou, no mínimo, apresentar a “toilette” certa e o melhor porte na fotografia do jornal.

Resumindo: Vista daqui à distância a política local continua digna tanto do anedotário nacional como da indiferença dos Viseenses.
Até breve.

 

Fernando Figueiredo

 

(Fotos DR)

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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