Viseu, uma cidade nas mãos de brincalhões?

por PN | 2017.05.14 - 16:30

 

 

Esta era a expressão/questão (mais “apresentável” em texto) que se ouvia da boca de milhares de automobilistas, utentes da estrada, que chegavam a Viseu e queriam dirigir-se aos seus destinos, aos seus compromissos, às suas casas…

Vindos do Sátão, chegados à entrada de Viseu às 14H55 deparámo-nos com todos os acessos cortados pela PSP e PM. Ao lado da Staples para onde fomos desviados, já a bicha era de centenas de metros. Eu e as pessoas que estavam comigo, só queríamos ir para o Hotel Montebelo, mas…

À rotunda do supermercado a ordem era de seguir para cima, assim fizemos, à rotunda de Abraveses cortámos esperançosos para Orgens. Sem prévio aviso, depois de andarmos mais umas centenas de metros, a PSP cortava mais um acesso. Um agente  afónico informou-nos que havia uma volta-qualquer-do-Dão; que ali só abriria a circulação dentro de mais de uma hora. Entretanto, nuns rutilantes carros da litocar que adere a todas estas “zanguizarras”, uns miúdos silvavam para trás e para a frente nos esgazeados renaults, com as cabecinhas de fora a acenar com uns paninhos ou bandeirolas, no meio de muita sirene de emergência (?). Um gozo e divertimento pegado…

Virar para trás e seguir, como mais umas centenas de condutores. Um sentido proibido. É seguir em frente, acenava quase à beira de um ataque de nervos um agente. Na rotunda de Abraveses o trânsito engrossava de novo. Para baixo não valia a pena seguir pois vínhamos de lá. Para S. Pedro do Sul? Vamos tentar. Subir ao Crasto, descer a S. Martinho de Orgens. A estrada municipal é uma temível picada para veículos todo-o-terreno. Finalmente, às 16H05, conseguimos chegar à rotunda de Vildemoinhos e aí, enfim, respirar fundo, pois a estrada para o Montebelo estava desimpedida. Isto porque conhecemos os “cantos da casa”…

Tem alturas em que a cidade de Viseu parece estar nas mãos de uns adultos prepotentes que se deliciam a brincar como crianças, sem pesar as consequências nem os danos que geram e causam, para seu gáudio, despesa e desespero de muitos.

Toda a gente tem o direito à sua liberdade desde que não ponha em causa a liberdade dos outros. A falta de informação, a arbitrariedade destes divertimentos, a ausência de uma organização com rigor, disciplina, estratégias alternativas e respeito pelos outros, faz desta malta uma trupe de gente crescida, aparentemente com problemas de infância/adolescência mal resolvidos.

E o peditório para as voltas deste infindável carrocel do Dão, além de já enjoar, começa a fazer vomitar os mais frágeis de estômago.

Se são estas “brincadeiras” os truques de marketing para tornar chamativa Viseu, uns amigos meus de Coimbra que estavam comigo garantiam: “Viseu nunca mais, estes gajos não batem!”

Nós, os munícipes aqui moradores temos que aturar esta horda de foliões que parece fazerem da vida um circo romano, onde uma centena se rebola a rir para “inquinação” da vida de muitos milhares.

De facto, em Viseu, a vida é uma festa… mas só para alguns.