VISEU E O PODER DE COMPRA – Conclusões simples e claras, mas preocupantes e desafiantes

por José Pedro Gomes | 2017.11.20 - 21:38

Na última semana, tivemos conhecimento de um estudo do INE sobre o Poder de Compra dos municípios portugueses com dados referentes a 2015. Um estudo caracterizado pela robustez dos seus índices, com informação vasta em termos de caracterização do território e que nos permite avaliar os municípios no contexto nacional e regional.

Com base nestes dados, podemos chegar a 10 conclusões principais:

1– Viseu vê a sua posição piorar de 2013 para 2015;

2– O poder de compra de Viseu está a divergir da média nacional;

3– O concelho de Viseu é aquele que apresenta o pior indicador do poder de compra per capita de todas as capitais de distrito da região Centro: abaixo da Guarda, de Castelo Branco, de Leiria, de Aveiro e de Coimbra;

4– O concelho de Viseu é aquele que apresenta o pior indicador do poder de compra per capita de todas as capitais do interior: abaixo de Bragança, Vila Real, Santarém, Portalegre, Beja e Évora;

5– O turismo vê os seus valores perder peso entre 2013 e 2015, havendo uma diminuição relativa face ao todo nacional, podendo-se inferir que houve uma diminuição da actividade turística;

6– A população está a decrescer em Viseu, tendo em consideração a distribuição espacial da percentagem do poder de compra;

7– Viseu continua a perder posições nos rankings dos municípios, sendo este mais um deles;

8– Este pode ser o reflexo do falhanço do modelo de crescimento implantado;

9– Viseu evidencia cada vez mais a ausência de uma força motriz criadora de riqueza, que garanta qualidade de vida, sim, mas que mude o paradigma;

10– A dita “estratégia” Viseu Primeiro parece não estar a colher frutos, estando a faltar uma governação com uma estratégia de desenvolvimento para o concelho, assumindo o seu papel de liderança na região, mas sempre em diálogo construtivo com os municípios que a compõem, porque o desenvolvimento e o sucesso de Viseu será também o melhor para todos os concelhos da região.

São Conclusões simples, mas preocupantes. São Conclusões claras, mas desafiantes. E são também factos e alertas que têm de ser assinalados, porque a governação do município não pode ser indiferente a isto.  O Sr. Presidente da Câmara terá as suas ideias e a sua forma de pensar Viseu. Mas o gestor de uma “casa” como a Câmara Municipal de Viseu, tem instrumentos à sua disposição para poder prever. E até admitindo que falha nas previsões, o líder desta “casa” tem instrumentos para implantar medidas, pôr planos em prática e executar políticas.

É isso que se exige. Tudo menos a indiferença. Porque os viseenses querem e merecem respostas e perspectivas concretas.