Viseu e “o deixa andar imposto pelas lideranças”

por Fernando Figueiredo | 2019.05.04 - 09:30

Sendo certo que nenhum de nós, condutores ou passageiros, dúvida da importância da manutenção do nosso veículo, seja ela preventiva ou correctiva, também aos cidadãos importa que o seu espaço social, seja ele urbano ou rural, seja alvo de constantes cuidados de manutenção para que infraestruturas, equipamentos e toda a envolvente estejam ao seu dispor em perfeitas condições de utilização, segurança e com garantia de qualidade e bem estar. Como no jardim de nossas casas, aqueles que o possuem, a cidade e o concelho precisam de atenção e carinho. E a manutenção é uma actividade cara mas mais oneroso em todos os aspectos é não a realizar.

Desde o corte, plantação de novas árvores ou poda regular, programada ou até a pedido dos munícipes, à limpeza de vias e áreas públicas capinando ou desbastando as espécies vegetais, ao tapa buracos, isto é, à recomposição do asfalto danificado de ruas e avenidas, à repintura das sinalizações horizontais, à limpeza de bueiros e esgotos de saneamento, ao controlo de pragas, à substituição de iluminação avariada, à limpeza das lixeiras, etc. há um sem número de tarefas a cumprir na vida das comunidades que não permitem desleixo ou amadorismo. E na cidade em particular já se vai notando o desleixo e mais ainda se tomarmos como referência os tempos em que Ruas era o senhor dos jardins e continuador da obra de Carilho.

Senão vejamos, no Fontelo tudo mais do mesmo e sem solução à vista. O pulmão da cidade está cancerígeno e ninguém se preocupa com isso. Descemos o Pavia e o panorama não melhora, antes pelo contrário, tresanda a abandono e desinteresse. Uma mancha de água da cidade que não tendo mar podia virar-se para o rio para o fruir e vira-lhe as costas. Apanhe-se agora o MUV, ou pensando melhor, continuemos a pé porque não há tempo para esperar por algo que não foi pensado com a cabeça, e reparem quantas vias da cidade já precisam de alcatrão ou tinta! Havendo tinta para borrar paredes no que alguns chamam de arte não há uns litros a mais para pintar os necessitados bairros sociais ou os muros da escola primária? E o minúsculo lago do parque Aquilino Ribeiro não pode ser limpo com outra regularidade? E o Skate Park alvo da falta de civismo de uns quaisquer aventesmas pode ser usado com vidros e outros materiais por ali espalhados? E a falta de água em Rio de Loba só agora justificou a substituição da tubagem?  E na Ponte do meio em Farminhão o esgoto precisa de correr diretamente para o rio? São tantas as perguntas que é melhor ficarmos por aqui a olhar a Sé desviando o olhar da grua ali colocada há tanto tempo que já nem o dono se deve lembrar dela.

Gerir hoje nas condições do País e do poder local mais que prometer sonhos é manter a realidade em condições de assegurar o futuro. De forma geral, e pese as diversas opiniões neste campo, mas a cidade e o concelho têm quase tudo o necessário e suficiente para que os viseenses possam fruir de uma vida saudável, segura e rotineira. Manter o que estava ajardinado e limpo a favor de todos devia ser um razoável compromisso político!

Se andarmos com olhos de ver e tivermos gosto na cidade apercebemo-nos com facilidade que está a ficar aqui e ali com tons cinzentos, que pese toda a boa vontade e esforço dos funcionários camarários nota-se que o deixa andar imposto pelas lideranças e a vontade de regar os canteiros floridos já é como a água da barragem de Fagilde, pouca e de baixa qualidade!  Na vida como na política e bem assim no MUV uns são condutores e outros são passageiros e sem manutenção não há carro que se mantenha em condições. Esperemos que estes que agora mandam na Praça sejam passageiros porque para condutores não servem!

FERNANDO FIGUEIREDO

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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