“Viriato é a Lusitânia personificada”

por PN | 2017.04.02 - 20:34

 

Decorreu este fim de a 1ª Feira e Mercado Lusitano, a qual, segundo os próprios organizadores: “ é um evento cultural e de recriação histórica, inspirado no herói lusitano Viriato, que envolve a comunidade escolar, grupos de teatro da região, cortejos históricos e a reconstituição de várias atividades agrícolas, económicas e sociais da época. Um projeto da Escola Secundária de Viriato, apoiado pelo Município no âmbito do VISEU TERCEIRO.”

Muito bem!

Conta-nos Aquilino Ribeiro, em “Príncipes de Portugal Suas Grandezas e Misérias”:

O homem desenganado e resoluto que a tribo julgou digno das vírias, chamasse-se como se chamasse, a partir da imposição não teve outro nome: viriato. Viriato quer dizer, portanto, investido com as vírias, como um monarca pela graça de Deus. Decerto era a mais alta dignidade conferida por aquele povo, pastores honrados na tribo e piratas temíveis na terra alheia. Vírias eram grandes argolas de metal, tantas vezes de oiro, com que guarneciam o braço que segurava a espada ou que ornavam a perna do cavaleiro.”

(…)

O Viriato que durante oito anos teve o exército de ocupação romana em xeque, era de algum modo um guerreiro à parte. Os historiadores latinos, tão dados à avolumação epopaica, ao passo que tentam denegri-lo em seu natural, exalçam-lhe o génio combativo e estratégico.”

O que não percebemos – e naturalmente terá uma mais que lógica explicação didáctica, pedagógica e artística – é o porquê da estátua do Viriato sita ao local onde decorreu o evento estar tapada com uma frontal toga, lona, lençol ou algo de semelhante, deixando-o ali, abrigado das vistas e talvez do frio, ao heróico rosto da Lusitânia. Assim o encontrámos muito reservado, durante o nosso passeio dominical pela Cava… do Viriato.

Comeram-se uma bifanas, beberam-se umas “loiras” e fez-se História, o que aliás, entrosa adequadamente, no espírito e obra deste município. Provavelmente, como se faz em qualquer feira Medieval dessas que povoam o reino actual, houve trombetas, loas, cavaleiros, torneios, recitações, mesinhas curativas e muita dramatização. Provavelmente.

Mas isso já o vimos em Trancoso, em Penedono, em Lamego, em Mangualde, em Monção, em Tavira, em Óbidos, no Marvão… claro que eles não têm um Viriato. Assim nem o podem encapotar…