Vila Nova de Paiva reedita “O Malhadinhas” com a Bertrand Editora

por PN | 2018.05.03 - 04:21

 

 

Na sequência da reedição de “Cinco Réis de Gente”, com prefácio de Luísa Costa Gomes, reeditado em parceria da Câmara Municipal de Sernancelhe/Bertrand Editora, seguiu-se-lhe “O Homem da Nave – Serranos, Caçadores e Fauna Vária”, com prefácio de Álvaro Domingues, em parceria com a Câmara Municipal de Moimenta da Beira/Bertrand Editora.

José Morgado, presidente do município de Vila Nova de Paiva assumiu o compromisso, enquanto um dos três autarcas das Terras do Demo e com os outros dois municípios, co-responsável pela administração da FAR – Fundação Aquilino Ribeiro, de reeditar “O Malhadinhas” que será apresentado publicamente no próximo dia 19 de Maio – mês simbólico pela morte do Escritor – em dia de Feira de Barrelas, no Auditório Carlos Paredes, pelas 16H00.

A obra, com prefácio da professora catedrática jubilada da FDUL, Maria Alzira Seixo, será apresentada pela professora da UA, Maria Eugénia Tavares Pereira, contando com a presença de Carlos Silva Santiago, José Eduardo Ferreira, do autarca anfitrião, José Morgado, de Eduardo Boavida, director da Bertrand Editora, do neto do Escritor, Aquilino Machado e de Maria Eugénia Pereira.

Recordamos que a 1ª edição de “O Malhadinhas” surge em 1922, enquanto novela, na obra intitulada “Estrada de Santiago” e conjuntamente com “A Maldição Cubra os Pardais”, “Valeroso Milagre”, A Grande Dona” e “Bufonaria Heróica”.

Ressurge em edição luxuosa e autónoma, com belíssimas ilustrações de Bernardo Marques, em 1946, em 1985 na reedição das Obras Completas, conjuntamente com “Mina de Diamantes” e aquando da trasladação dos restos mortais de Aquilino para o Panteão Nacional, a 19 de Setembro de 2007 em homenagem da Assembleia da República.

Cumpre-se assim um interessante périplo editorial que, após o dia 19 de Maio, poderia ter continuidade com a reedição de “Uma Luz ao Longe”, cuja diegese decorre no Colégio da Lapa, “A Via Sinuosa”, cuja intriga é muito focada no Convento de S. Francisco e “Geografia Sentimental”, com páginas que regressam à “velha Barrelas de um sino”, obra já reeditada e prontamente esgotada.

“O Malhadinhas” conta a vida aventureira e romanceada do almocreve António Malhada

Danado aquele Malhadinha de Barrelas, homem sobre o meanho, reles de figura, , voz tão untuosa e tal ar de sisudez que nem o próprio Demo o julgaria capaz de, por um nonada, crivar à naifa o abdómen dum cristão. Desciam-lhe umas farripas ralas, em guisa de suíças, à borda das orelhas pequeninas e carnudas como cascas de noz; trajava jaleca curta de montanhaque; sapato de tromba erguida; faixa preta de seis voltas a aparar as volutas dobradas da corrente de muita prata…”.

Bom, se quiser saber mais a solução é fácil, apareça dia 19 em Vila Nova de Paiva e, desde a arruada dos Bombos de Pendilhe, à actuação do Rancho Folclórico de Sernancelhe à Merenda de Honra, terá ocasião de ficar a saber muito mais sobre esta personagem picaresca e real que, por terras de Barrelas, deixou muita descendência ufana de tal parentesco.