vamos esperar para ver?

por Maria José Quintela | 2018.07.14 - 17:58

 

 

 

o tempo pede a reciclagem da inércia. com pistas espalhadas como epitáfios na paisagem apátrida da humanidade. o tecto comum criticamente rebaixado pelo ar contaminado do fumo e da fome. até os dias se vestem de inverno no verão. só para contrariar a corrente. certo é que todos os dias são dias úteis para quem anda de sol a sol mesmo debaixo de chuva. chuva que não faz mossa ao molhado. obviamente. de resto vai tudo bem. as igrejas apinhadas de turistas descrentes. os pedintes à porta como uma marca registada. um enquadramento menos perfeito e nem sempre nacional. nada que impeça o retrato de grupo ou de família. mas isso agora não importa. os dias são de arraial e fogos de artificio. o corte de fitas e do défice. o bar aberto e as luzes de néon. e na casa da nação o discurso impróprio para a inteligência humana. mas tudo bem. o que importa é ser moderno e estar na crista da onda. ou parecer moderno. que a imitação sai mais barata e também sai nas revistas estrangeiras. todos andam felizes e na moda. em modo embrutecido. dão-lhes bola e glórias breves. tragédias em parangonas. greves e resgates. visitas de estado e dramas passionais. o mundo é lindo. não é preciso inventar nada. é ir atrás. se o mundo é redondo a vez toca a todos. vamos esperar para ver?