Valorizar os Assistentes Operacionais nas escolas

por Carlos Cunha | 2019.11.13 - 13:20

 

Porque é que os funcionários das escolas fazem greve?

Porque são profissionais que à semelhança dos professores estão a ficar envelhecidos, por isso, ficam mais vezes doentes e têm de meter mais vezes baixa médica. Para além disso, ganham muito mal para o trabalho que fazem e para as responsabilidades cada vez maiores que lhes são exigidas. Não existe uma carreira e a antiguidade é muito pouco valorizada à semelhança da formação inicial de cada assistente operacional. A formação profissional ao longo da carreira também é escassa ou inexistente.

Um assistente operacional traz hoje para casa limpos no fim de cada mês cerca de 630/640 euros. Conseguirá viver com dignidade e pagar as suas contas e despesas com os filhos? Tem de conseguir, mas para o conseguir necessita de recorrer a apoios e subsídios estatais. Não devia ser assim, mas é assim que acontece na maior parte dos casos.

Os assistentes operacionais são uma espécie de parente pobre da educação, no entanto, quando não estão presentes deixa de haver aulas e os alunos têm de ir para casa. A sua ação e o seu trabalho são essenciais na implementação da escola a tempo inteiro, mas o Ministério da Educação quer continuar a fazê-lo sem lhes assegurar as devidas condições de trabalho e financeiras.

A regularização dos assistentes operacionais precários foi um passo importante, mas como se vê há ainda muito caminho a percorrer para se valorizar a profissão.

Carlos Cunha

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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