Uma Espanha partida pela (in)justiça

por PN | 2019.10.15 - 21:56

A prisão por alegada sedição (rebelião) e peculato de dirigentes políticos catalães; o seu julgamento pelo poder judicial, quando o poder político se acobardou e lhe outorgou a sua voz; a condenação a mais de 100 anos destes homens, democraticamente eleitos e voz da maioria que os elegeu; esta vileza encetada pelo Rajoy do PP, na boa prática franquista, divisionista e fratricida… é uma vergonha para Espanha. Uma vergonha para os seus governantes. Uma vergonha para a justiça.

Quase que a fazer-nos lembrar os Tribunais Plenários criados por Salazar em 1945, que julgaram mais de de 10 mil portugueses, sem advogado e sem culpa formada, pelo crime de serem opositores ao Estado Novo.

O poder espanhol, pela mão dos tribunais, julgou os secessionistas catalães e quis avisar todos os separatistas deste país, formado por territórios tão distintos, de que não admitiria ímpetos autonómicos.

Esta sentença afinal, poderoso rastilho de pólvora, pode não ser mais do que o pretexto para o início de uma interminável guerrilha civil. Uma espécie de acicatador de ânimo que estava adormecido.

Mas que fique esta ideia, um acto político que os políticos deveriam resolver, foi passado ao Supremo Tribunal espanhol para que a justiça erguesse o punho agressor perante a incapacidade e cobardia repressiva do poder instituído.

A ver vamos o que este povo ainda vai sofrer, já de si tão martirizado por uma guerra civil que durou de 1936 a 1939, entre nacionalistas e republicanos. Ao que parece, os milhões de vítimas de ambos os lados daquela temível “Cruzada” não foram suficientes para apaziguar os “hermanos”, ancestralmente tão divididos.

Paulo Neto

(Fotos DR)