Uma esmolinha para o Bombeiro

por Carlos Cunha | 2018.05.14 - 11:06

 

Rui Rosinha é para muitos um ilustre desconhecido, no entanto, este homem simples que gostava de ajudar os outros saiu do anonimato em Agosto de 2017, por causa do terrível incêndio de Pedrógão Grande. Esse mesmo, de triste memória, no qual perderam a vida 64 pessoas.

 

Rui Rosinha, homem na casa dos quarenta e poucos, pertencia à corporação de Bombeiros Voluntários de Castanheira de Pêra. No dia 17 de Junho, fez o que costumava fazer habitualmente: sair em socorro de quem dele precisava, quando a sirene tocou, oferecendo generosamente a sua vida para salvar a dos outros. Nesse dia quis o destino que Rui Rosinha circulasse no jipe da corporação com mais quatro camaradas e que um carro desgovernado e em pânico viesse a embater, na EN 216, contra o jipe dos Bombeiros de Castanheira de Pêra. Um dos seus companheiros teve morte imediata e Rui Rosinha ficou em perigo de vida. Foi internado no Hospital da Universidade de Coimbra, devido às queimaduras, tendo ficado várias semanas em coma.

A força que nunca deixou de ter trouxe-o de volta à vida. As sequelas foram enormes e ficaram-lhe tatuadas a vermelho vivo por quase todo o corpo. Rosinha não desistiu e meio ano depois regressa a casa para passar o Natal com a mulher e os dois filhos menores. Pela frente um longo caminho de recuperação. Um verdadeiro calvário e uma cruz bem pesada às costas, que a mulher ajuda a aliviar.

Fisioterapia, consultas e mais consultas e operações são as rotinas diárias do bombeiro Rosinha e da sua mulher. Apesar da recuperação, o sub-chefe Rosinha ficou com uma incapacidade de 85%, totalmente dependente de terceiros para realizar as atividades essenciais do dia-a-dia, como seja alimentar-se, fazer a higiene ou deslocar-se a algum lugar.

Para o acompanhar em toda esta odisseia, a mulher teve de meter baixa psiquiátrica, o que acarreta uma baixa significativa no seu rendimento mensal.

Os filhos de 10 e 12 anos frequentam a escola e são acompanhados por um psicólogo, procurando atenuar o sofrimento que sentem com toda esta situação.

Em entrevista a um órgão de comunicação nacional, o bombeiro Rosinha mostra muita apreensão em relação ao futuro, sobretudo quando a sua mulher, de quem depende em quase tudo, regressar ao trabalho.

Fruto de todas estas circunstâncias, o sub-chefe Rosinha teve de pedir a reforma antecipada. Sabem os estimados leitores o valor que lhe foi atribuído pela Segurança Social? 267,00€! Isso mesmo! É de pasmar perante tamanha injustiça!

É esta esmolinha que a Segurança Social dá um bombeiro, que pela sua coragem, ficou incapacitado de modo permanente para exercer as suas funções. Mais do que vergonha, é a revolta contra esta injustiça que me levaram a escrever esta crónica, haja quem se erga e ajude este homem e a sua família a viverem com a dignidade que merecem!

(Foto DR)

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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