Uma cidade entupida

por PN | 2019.08.26 - 17:38

Não é preciso um dilúvio. Basta uma chuvada de Agosto para pôr os viseenses com desejos de trocar o seu citadino ou a sua limusina por um adequado veículo anfíbio.

Foi mais uma vez o caso de hoje, desta situação recorrente sempre que as nuvens pingam mais água.

Naturalmente que todos podem alegar ser comum a outras localidades, ao que se poderia retorquir: Principalmente as ribeirinhas, mas não vivemos lá e com o mal dos outros bem podemos…

Estranho é nunca esta cidade ter tido tantas empresas privadas da “área verde” ao seu serviço e tantos cuidosos e galhardos jardineiros.

As sarjetas não comportam a água por um princípio básico da metafísica, chamado de impenetrabilidade: Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. E compartilhar sarjetas com detritos vários e bueiros prenhes de folhas, lixo e demais porcaria acaba por dar mau resultado, como vimos com uma tampa de ferro arremessada como um foguete por não suportar a tensão gerada.

O executivo camarário se fosse atento e agisse com medidas primárias de profilaxia, nunca permitiria que este entupimento sucedesse.

Mas como pode ele cuidar de sarjetas quando, do cimo da “roda gigante” tudo minúsculo se torna, retirando a visibilidade ao que a nível do solo se passa?

Paulo Neto