Uma aberração chamada praxe

por Alexandra Azambuja | 2017.09.21 - 11:32

 

Passo pelas praxes cheia de vergonha.
Vergonha do meu país que permite que gerações inteiras sejam cobardes e não ponham fim a isto.
Que é para “integrar”.
Se é para integrar porque é que a maioria dos rituais da praxe imita apenas abusos de força e poder?? Adolescentes ajoelhados e insultados, obrigados a repetir enormidades com medo de serem segregados, de não pertencerem ao “grupo”, porque para se ser do grupo é preciso humilhar, ofender, ameaçar, ou numa palavra, causar sofrimento?

O que eu gostava mesmo é que filmassem em grande plano a expressão de pequenos tiranetes que quem comanda as praxes gosta de ostentar, a bebedeira do falso poder e confrontasse a família que “educou” esta gente com a pergunta: orgulham-se disto?

Estão orgulhosos pais e mães que lançam para a o ensino superior gente cuja fonte de alegria é espezinhar os outros?

Bravo! Valentes!

Ah grandes pais e mães, é dessa raça que é feito um país de cobardes.
Porque é aos cobardes que compete fingirem-se fortes quando estão na matilha. É desta raça que são feitas as pessoas que são escravizadas no trabalho, que obedecem sem pensar a todas as normas por mais estupidificantes que sejam. Continuem a fazer rituais de obediência animal. Mas depois não estranhem, caros compatriotas, que o nosso futuro seja feito de obedecer, de ajoelhar perante os mais fortes, sejam eles um Estado injusto, ou a corrupção poderosa. São vocês, que acham graça a isto.
Não eu.