Um fim de semana soturno em Viseu

por PN | 2019.11.10 - 18:47

Uma volta a pé pelo centro de Viseu. O tempo a reter as pessoas em casa. As ruas desertas.

Além, no meio da estrada, no Rossio, um funeral à antiga, numa charrette branca puxada por dois negros e lutuosos percherons. Atrás, três ou quatro músicos, no puro estilo Sto. Louis Missouri, em elegante passada marcial, toavam uns síntonos e sentidos blues.

Não. Esperem aí! Deixe-nos ver mais de perto… Pedimos desculpa pela confusão. Afinal é o Pai Natal a chegar à Senhora Câmara deserta, sem vivalma que o acolha. Tempos difíceis, estes. Até para o Pai Natal, em tão solitária pompa e circunstância.

Mais adiante, as obras do Solar dos Peixotos, sede da distinta Assembleia Municipal de Viseu, avançam a galope. Ou melhor, num piaffé digno de ser visto, aquele galhardo passo de alta escola em que o equídeo galopa parado. Mas tal não impede que os seus membros, capitaneados por uma aristocracia style duque de Windsor de libré encarnada, no intervalo de uma fox hunt, aprovem tudo quanto às mãos lhes chega por mor da cromática maioria. Um dia poderá haver mais fabianos a quem pedir responsabilidades pelo despautério.

Olhando em frente, um graffiti de altíssimo gabarito a “falar de púlpito” para um lastimoso abandono a inquinar o donaire urbano. Poderá fazer parte do cenário artístico pós-moderno ao qual ainda não acedemos. Silenciemo-nos pois. (foto de abertura)

Bom, deste núcleo central nem ousámos partir à periferia, pois quando a “parada” está tão “pobrinha“…

A “molha-tolos” chamou-nos de súbito à realidade. Em casa, ao afago cálido da lareira, melhor se estará. E sempre podemos jogar ao “City track”, ou ver um expressivo documentário sobre as Cidades Património da Humanidade.

Paulo Neto

(Foto da “charrette” DR)