Teste de superação no Ártico

por Eugénio Costa | 2017.08.30 - 09:32

 

 

Depois da expedição de 2016 ao Saara em 4 L, a expedição ao Ártico em 2017 ficou na minha agenda. Prometida que estava a mim mesmo e à minha família, avancei.

São os extremos que se tocam em superação de experiências únicas, pelos elementos, o frio, os dias ininterruptos e em simultâneo o teste psicológico que me impus e me moveu neste devaneio ártico.

De 16 a 27 de junho, parti a solo de Longyearbyen, no Akademik Ioffe, um quebra gelo Russo outrora laboratório de pesquisa do Ártico, agora transformado em explorador dos gelos.

Embarquei no porto de Longyearbyen, a cidade mais setentrional do Planeta permanentemente habitada. Situada na ilha de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, conta com cerca de 2.100 habitantes e muitas peculiaridades próprias da sua localização, 78.2232° N, 15.6267° E.

Encontra-se nela tudo o que noutra cidade existe, mais o que não existe em nenhuma outra, tem Museu, Universidade, Hospital, e Hotéis, tem o “Svalbard Global Seed Vault” ou Silo Mundial de Sementes,  mas não tem cemitério, nem força policial relevante.

Rumo aos 90º N, a paisagem era de gelo, glaciares e icebergues, ursos polares, baleias, focas, raposas e aves, uma delícia para quem o grande objetivo era a fotografia.

As saídas diárias em “zodíaco” ou a patrulha de vida animal da proa do quebra gelo, constituía os pontos altos da expedição e de adrenalina pelo melhor avistamento, documentado em foto.

Eu preferi sentir a imensidão ártica, não pela objetiva de uma máquina, antes pelos poros da pouca pele exposta, pelas narinas, ouvidos, olhos e o sabor ártico, um sabor a brisa gelada condimentada por Sol e sal.

Trouxe três peluches de urso polar, branco amarelado como a cor dos ursos verdadeiros, para os meus netos, Madalena, Francisca e Leonardo, que cuidaram da minha viagem com um vídeo, que eu ouvia quando a solidão ártica apertava . . . muito mais que o frio.