Sobrado no Banco de Portugal?

por PN | 2019.01.04 - 15:59

 

 

Longe parece ir o tempo em que o Banco de Portugal era um quase repositório sagrado de dados referentes a cidadãos e empresas portuguesas, onde as instituições de crédito poderiam consultar todo o cadastro fornecido pelas entidades bancárias.

A Câmara Municipal de Viseu ao “alugar” uma ala da filial do Banco de Portugal nesta localidade, para instalação dos gabinetes e serviços de cultura e turismo, vulgo Jorge Sobrado, terá respondido a uma solicitação/exigência deste vereador para quem o céu parece ser o limite.

Que ele peça, é um incontornável direito que lhe assiste, embora a meu ver de uma insensata megalomania. Que Almeida Henriques vá na labieta, já é excessivamente bizarro. Que a administração Central e o ministério das Finanças, tutela do Banco de Portugal acedam a esse “agrado” propiciado pela administração à autarquia, já parece ser coisa de “tolinhos”.

Andará o Banco de Portugal assim tão carenciado para começar a alugar filiais? Mas ao que parece, o acordo/protocolo estabelecido até nem tem renda… comprometendo-se a CMV a fazer obras num montante elevadíssimo para criar o Éden do vereador-petit-prince.

Claro que não haverá nenhuma promiscuidade com o bunker da confidencialidade e o facto de uns “fabianos” se pavonearem por lá afora nada quer dizer. Ou seja, presume-se que “cada macaco ficará no seu galho”. O BdP num, a Cultura e o Turismo noutro.

E porém, algo nos diz e é possível conjeminar-se que tal poderá não acontecer e que, ao fim e ao cabo, a CMV o que pretendeu foi “meter a raposa no galinheiro”.

As atitudes equívocas dão sempre azo a ambiguidades conjecturais. Aqui temos uma da qual nenhuma das partes sairá limpa.

Estranho é que o ministro das Finanças, Mário Centeno, tenha dado o seu “agrément” a esta “salsada”.

Insólito é que um departamento que sempre coube nos Paços do Concelho, com Sobrado tenha deixado de caber, não obstante o seu metro e meio de estatura, ou seja, que aquele continente deixasse de ter capacidade para albergar tão desmesurado conteúdo…