São velhos… temos pena

por Vítor Máximo | 2018.04.06 - 15:35

 

 

São velhos, idosos, peste grisalha, mais sábios é à vossa escolha.
Temos pena.

Para mim são pessoas, são portugueses que de uma qualquer forma contribuíram para o seu país, mas acima de tudo não têm culpa de viver num dos países europeus que mais maltrata os  idosos.
Não vou aprofundar o assunto do valor das reformas, dos cuidados de saúde, do apoio social e familiar, embora devesse, mas deixo esse tema para outro carnaval.
Hoje interessa-me simplesmente focar num dos assuntos que já foi do momento: a limpeza dos matos contíguos.
Eu sei que já não é notícia e que o prazo já foi prolongado e muito bem por sinal, também era o que faltava, uma lei iluminada destas, que só pode vir da cabecinha de alguém que só vê a luz do gabinete durante o dia e  vem ao interior tirar fotografias aos rurais para pôr numa rede social qualquer tem que ter muita lata, mas mesmo muita lata para querer que os privados resolvessem em quinze dias mais de quarenta anos de inação do estado.
A ver se me faço entender.
A limpeza de matos contíguos a habitações deve ser feita. Ponto assente.
É legítimo obrigar um idoso  de 98 anos, como  em Penalva, morrer a limpar mato depois de uma vida de trabalho, sem dinheiro para medicamentos sequer? Na sua honestidade de cumprir , alguém com 98 anos morreu por uma lei cega que não vê, não ouve e não quer saber.
Podes? Limpa. Não podes? Limpa na mesma. Não limpas? Paga.
Mas eu pergunto. Onde estão agora os apoios para as freguesias, há dinheiro para percursos pedestres, novas placas e o diabo a quatro mas para ajudar quem realmente precisa pelos vistos não.
Fez-se um levantamento das reais necessidades e das condições em alguns idosos terão que proceder à limpeza das suas terras?
Há um controlo efetivo na extrapolação dos preços que algumas empresas de limpeza florestal começam a praticar?
Quem é responsável por limpezas mal feitas, a empresa que a faz ou quem a paga?
Além das formações dadas pela GNR agora, haverá mais no futuro?
Haverá um controlo futuro desses matos?
O estado dará o exemplo?
Podem parecer questões de resposta fácil, mas quando se é idoso e em dificuldade nada aparenta ser Tao fácil assim.
Um pouco de respeito e bom senso é imperativo não só nesta questão mas no acompanhamento diário a população mais idosa que vive sozinha sem recurso a instituições adequadas.
Lá porque alguém não necessita de cuidados permanentes de um lar ou centro de dia não significa necessariamente a isenção de dificuldades.
Fica bem e é bonito aparecer na televisão a reclamar dos prazos de limpeza dos matos mas ficaria bem melhor falar para dentro e excelente seria trabalhar cá dentro sem o foco de uma câmara de televisão.

Para terminar e a laia de aviso, não tarda muito o tempo quente e seco está a chegar, vão recomeçar as queimadas e os disparates. Talvez fosse melhor estar atento.

Este texto foi escrito em colaboração com Pedro Ribeiro membro da comissão política concelhia CDS Viseu.

Educador de infância. Militante CDS-PP

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