Rui Rio, “marioneta” de Santana?

por Paulo Neto | 2018.02.18 - 10:34

 

Ninguém ignora ser a política uma porca súcuba, parideira e com muito teto no soventre, para as boquinhas ávidas das centenas de filhos esfaimados.

A prová-lo, Rui Rio que hoje, talvez não fosse eleito “boss” dos sociais-democratas, escolhe os seus principais “inimigos”, os “santanetes” ferrenhos para lugares de destaque, esquecendo aqueles que no terreno por ele lutaram e lhe deram a vitória.

Foi o caso com um dos seus maiores opositores, António Almeida Henriques que será um dos vice-presidentes da Mesa do Congresso e do CN do PSD.

Se Rui Rio, por um lado, quer unir o partido, chamando a si aqueles que contra ele andaram a disparar cunhetes de munições, por outro lado, inquestionavelmente, mostra ser um ingrato, a entrar de chancas nas suas funções de líder.

Por seu turno, o passista Fernando Ruas entra em declínio total, ao ser despachado e substituído por Mota Pinto.

Se em vários distritos do país houve apoiantes de Rio que não apreciaram esta “caldeirada” temperada com cicuta, em Viseu, Pedro Alves, presidente da distrital viseense, um incondicional de Rio, critica esta forma de “cozinhar” listas deixando um alerta sobre o futuro, centrado na manifesta falta de vontade de Rio em integrar este território, absolutamente excluído de membros na futura direcção nacional.

Rio fechou o “negócio” e deu mais atenção aos seus inimigos – que continuarão a sê-lo – do que a quantos ao seu lado, denodadamente lutaram para garantir a sua eleição, provando ser, afinal, um eventual ligeirinho “estouvado”.

Já o seu braço direito, Morais Sarmento, muda a agulha e passa a ser o panegirista de serviço, nas loas tecidas ao presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que Passos Coelho sempre hostilizou, com isso marcando pontos.

Uma vez mais, quando se fala de interioridade, de territórios de baixa densidade, de desertificação e gradual empobrecimento do interior, Rio parece ser mais um mero bluff, apostado na continuidade da macrocefalia lisboeta. Ou então, será apenas “mais do mesmo”, cedendo lugares ao derrotado PSL, por estratégia ou cobardia política. Ou pelas duas juntas…

António Costa, que agradecerá este “divisionismo e sectarismo”, é outro “boss” que olha Viseu de viés, provavelmente por ausência de líderes locais relevantes e por ter como presidente da Federação um indefectível do seu ex-oponente António José Seguro.

Viseu, uma vez mais, não passa de terra de cavadores de enxada, a abrirem o rego, para os outros deitarem a semente à terra.