Rua Direita, uma escolha feliz!

por Jorge Azevedo | 2013.11.28 - 14:48

Ao tomar conhecimento de que o meu amigo Paulo Neto abraçou um novo projeto de comunicação e o intitulou “Rua Direita” fiquei bastante entusiasmado. Como certamente saberá, a rua Direita de Viseu insere-se na tradição portuguesa de apelidar de rua Direita a artéria que liga duas portas da muralha, sendo, habitualmente, um eixo principal de circulação. Embora bastante tortuosa, esta rua foi, durante muitos, um importante espaço comercial e cultural. Recordo, com nostalgia, o Orfeão e o Instituto, Padaria Serra o Pop Doce, a Casa de Desporto, o Bazar do Porto, a Gelgo, Papelaria Dias, Impacto, João da Europa,…

A Rua Direita “viu” nascer e crescer viseenses de reconhecido valor: José Alberto Carvalho, Almeida Henriques, o Mestre Albuquerque,…

Infelizmente, tal como aconteceu noutras cidades, também Viseu tem vivenciado a problemática associada à desertificação e à degradação do centro urbano. Apesar do valor patrimonial e das identidades históricas e culturais, assistimos, nos últimos anos, ao êxodo do centro histórico citadino, esvaziando-se, dia após dia, transferindo-se para bairros periféricos.

Talvez não seja excessivo considerar que a Rua Direita foi, na campanha eleitoral das últimas autárquicas, um tema transversal a todas as candidaturas e que mereceu destaque no debate relativamente ao futuro do casco histórico.

Esta Rua representa, para mim, no que concerne à conceção do urbanismo de Viseu, a mesma função e importância da aorta no corpo humano. Foi nela e com ela que nasci e cresci feliz. Urge e impõem-se o restauro urbano integrado da Rua Direita e do centro histórico. Fará certamente sentido projetar uma intervenção que proporcione uma simbiose, a mais perfeita possível, entre a tradição e a modernidade, respeitando o passado e projetando o futuro. É um imperativo auscultar arquitetos com experiência e conceituados e, se possível, estes colaborarem com os locais. A vinda dos arquitetos Inês Ribas e Álvaro leite Siza Vieira poderá ter funcionado como pedra de toque para o que preconizo.

Estou agora mais tranquilo, a nova plataforma de comunicação não deixará que a intervenção na Rua Direita seja atirada para as calendas gregas. Acredito que poderá estar no centro das preocupações e tornar-se no polo de desenvolvimento de uma intervenção profunda em todo o Centro Histórico.

O projeto Rua Direita terá também a garantia de rigor, isenção e profissionalismo, características inerentes à informação de qualidade de que gostamos e da qual necessitamos.

Poderei afirmar, com convicção, que mesmo que possam surgir algumas linhas tortas, por elas escrever-se-á direito.

Quem conhece a capacidade de trabalho do Paulo Neto e os valores que o norteiam, saberá que o sucesso estará ao virar de uma das curvas da rua, sem que seja necessário chegar às quatro esquina e arriscar na Casa da Sorte!