Revisão Constitucional

por Alexandre Borges | 2019.02.05 - 17:15

 

Recentemente o Fisco espanhol apanhou vários futebolistas em esquemas lesivos das finanças de nuestros hermanos. O caso mais mediático foi o de Cristiano Ronaldo mas também José Mourinho, Pepe, Fábio Coentrão, entre outros, foram apanhados, condenados a penas de prisão (com pena suspensa) e obrigados a pagar os milhões devidos. Toda esta habilidade aparenta ter a batuta de Jorge Mendes, o por cá apelidado de “super-agente”.

 

 

Tanta gente que, em terra estrangeira, não cumpre o mais basilar princípio de solidariedade e cidadania e, pelos vistos, não faz o menor esforço por se integrar nas sociedades para onde emigra. Em jeito de brincadeira frisemos que ainda bem que o Quaresma não está envolvido nisto (ou está?).

Por cá, em terras lusas, dão-se-lhes comendas, palco, nomes a infraestruturas, selfies. Idolatramo-los porque jogam bem à bola, ou porque têm sucesso. Consideramos tais personagens como se fossem de outra casta, são “brâmanes”, que tudo podem e estão acima dos comuns mortais. Podem ser marginais lá fora mas são os “nossos” marginais.

O que esperar de um Estado que condecora (e com isso aponta como exemplo) cidadãos que fogem aos impostos? Que demonstram não cumprir os mais basilares princípios legais? Porque devem os restantes cidadãos, à luz da igualdade plasmada na actual Constituição, comportar-se de forma diferente se estes são idolatrados e apontados como exemplo pelo Estado?

E que tal acabar-se com a hipocrisia e mudar-se a Constituição? Instituía-se um sistema de castas (onde também caberão os banqueiros e mais alguns devedores) onde uns tudo podiam e, depois, os outros.

Seria pelo menos mais sério e poupavam-se figuras ridículas de gente a tentar justificar o injustificável.

 

(Foto DR Global Images)

Natural de Canas de Senhorim. Licenciado em geologia pela UC. Virulentamente bombeiro. Gosta de discussões cordiais, de vaguear pelo mundo munido de auscultadores.

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