Retrospetiva e futuro

por Carlos Cunha | 2017.12.28 - 19:01

 

 

O ano de 2017 caminha a passos largos para o seu encerramento. Nesta altura é comum fazerem-se balanços e reflexões sobre o que de mais relevante aconteceu.

Para mim houve três palavras que marcaram o ano de 2017: incêndios; seca e solidariedade.

         Os incêndios revelaram uma vez mais a nossa fragilidade, que se tornou notoriamente evidente na prevenção e na preparação. No combate fez-se aquilo que era humanamente possível, embora tivéssemos ficado com a sensação que mais poderia ter sido feito, mas não pelos bombeiros que dão sempre tudo o que têm e o que podem.

Confrontados com esta realidade, devemos fazer uma reflexão séria sobre o ordenamento do território, sabendo que algumas freguesias do nosso concelho se debatem atualmente com sérias dificuldades em atrair e fixar pessoas, apesar de possuírem um conjunto de infraestruturas ao nível da eletrificação e do saneamento bastante satisfatórias, mas insuficientes para aí fixar pessoas.

Falta, por isso, um plano de desenvolvimento económico e social suficientemente capaz de as alavancar do estado anémico em que se encontram. Deposito, para 2018, algumas esperanças no lobby político, económico e académico criado em defesa do Interior, que irá apresentar, em breve, um plano de ação estratégico. Acredito que as personalidades que o constituem têm capacidade e poder suficientes para influenciar as decisões tomadas pelo governo central, de modo a que este seja capaz de olhar para o Interior como uma oportunidade e não como um aglomerado de problemas, que infelizmente a tragédia dos incêndios de 15 de Outubro tornaram apenas mais evidentes.

Ao nível do poder político local, se 2017 foi o ano oficial para visitar Viseu, 2018 será o ano Internacional do Folclore. Está dado o mote para mais um ano de festas e celebrações, que nos vão apartando da realidade, dando-nos, em contrapartida alguma alegria momentânea.

O ano de 2017 foi atípico, pois, Viseu foi notícia nos telejornais nacionais por causa da seca prolongada, que levou ao quase esvaziamento da barragem de Fagilde, levando a Autarquia a mandar controlar a pressão da água, a efetuar uma campanha de sensibilização contra o desperdício e a abrir lamuriosamente os cordões à bolsa para que a água não faltasse nas torneiras dos viseenses.

Se não fosse esta medida excecional, a água teria certamente faltado em casa dos viseenses, mostrando-nos que não estávamos preparados para esta situação, que por força das alterações climáticas pode vir a ocorrer com mais frequência em anos vindouros.

Espero, portanto, que em 2018, o edil viseense apresente um plano estratégico para a água, que ponha fim ao assoreamento da Barragem de Fagilde, protegendo a mesma com barreiras que impeçam o deslizamento de terras, mas que também contemple a construção de reservatórios onde eles são necessários e que promova o investimento tendo em vista o combate ao desperdício e ao reaproveitamento das águas semelhante, por exemplo, ao que é feito em alguns dos modernos centros comerciais, que nesta matéria dão um avanço muito significativo aos edifícios públicos.

Se o Presidente do Município constatou que houve necessidade de recorrer à água da barragem de Fagilde para combater os fogos que assolaram Viseu e os concelhos vizinhos, 2018 deveria ser o ano de lançar um reservatório onde seja possível aos meios aéreos e terrestres de combate aos incêndios reabastecerem-se de água tratada, promovendo-se a sua reutilização racional.

Marcante foi ver que a palavra solidariedade é para grande parte dos viseenses uma palavra plena de significado e de ação, que levou à recolha e distribuição de inúmeros bens em escassos dias para acudir àqueles que quase tudo perderam na tragédia dos incêndios.

Quando o Estado Central falhou na proteção às populações valeu a solidariedade e o espírito de entreajuda para suplantar as adversidades.

Desejo-vos um excelente 2018!

 

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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