Ressuscitar as Festas dos Remédios

por Manuel Ferreira | 2016.08.14 - 23:28

 

Ao longo dos anos, muitas têm sido as reflexões e as avaliações sobre o que devem ser as Festas dos Remédios. Muitos cidadãos empenhados têm fornecido os seus contributos, sempre que são solicitados.

Contudo, nada tem mudado no paradigma das Festas. E a verdade é que, embora existam elementos nas Festas que devem perdurar e manter-se em nome da tradição, outros elementos existem que podem ser mudados e adaptados aos novos tempos que se vivem. A título de exemplo, refiro-me à manutenção e aprofundamento dos eventos religiosos e a uma nova aposta que introduza atratividade e inovação no programa respeitante ao entretenimento.

Tenho defendido, sobre a questão das Festas dos Remédios, que por muito mérito que se possa ter, não se consegue dar dimensão e escala às Festas mantendo, na sua conceção, preparação e organização, o atual amadorismo. A verdade é que, nos últimos anos, temos assistido a um desinvestimento na Romaria e a uma banalização da sua oferta. As Festas não têm sido uma prioridade do poder autárquico, tendo a ideia errada de que o evento vale por si só, não sendo necessário animá-lo e revitalizá-lo.

É necessária a existência de uma equipa profissional que, na posse de todos os conhecimentos passados e presentes, possa equacionar um Programa religioso e profano mais consentâneo com aquilo que as pessoas atualmente procuram.

A realidade sociológica e cultural mudou muito e as motivações e os objetivos que levavam as pessoas a deslocar-se a uma Romaria como a nossa já não são os mesmos. E, por isso, temos de estar atentos e não teimar no mesmo modelo, correndo o risco de as Festas se esvaziarem e se tornarem mais umas entre muitas das Festas que qualquer localidade organiza durante o período de verão.

Aqui, não vou entrar na polémica se seria melhor ou não para as Festas fazer coincidir os principais dias com o fim de semana. A reflexão deve ser amadurecida.

Contudo, pretendo ser uma testemunha do descontentamento que me tem chegado por parte de muitos aficionados da Romaria e afirmar que vale a pena continuar a apostar nas Festas dos Remédios como um fator importante na dinâmica económica local.

Manuel Ferreira tem 49 anos e nasceu em Lamego. Casado, dois filhos. É licenciado em Filosofia pela Universidade de Letras do Porto. Possui a Especialização em Administração e Gestão Escolar e é Mestre em Filosofia em Portugal e Cultura Portuguesa.
Militante socialista desde 1996, foi membro da Assembleia Municipal de Lamego entre 1997 e 2001 e Secretário do Gabinete de apoio do pessoal do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lamego entre 2001 e 2005 e membro da Comissão Política durante vários anos.
Atualmente é Presidente da concelhia de Lamego do PS e membro da Comissão Política da Federação de Viseu.

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