Reflexão Eleitoral

por Miguel Fernandes | 2015.10.02 - 22:48

 

É este fim-de-semana que tem lugar o happenig mediático do ano. Se, até Dezembro, Ronaldo engravidar uma mana Kardashian, este evento desce um lugar na lista de mediatismo.

Para o português verdadeiro, aquele que é cantado por TochaPestana e que acredita que Feirar está no sangue, a ida às urnas é a estocada final que vem acabar com semanas de sofrimento do bandarilhado touro-eleitor.
Se esta campanha provou que há mais agilidade intelectual em vinte minutos de Big Brother do que num debate Costa – Passos, estas semanas tiveram o condão de transformar a leitura de jornais, a consulta de redes sociais ou o visionamento de um noticiário em momentos de tortura ao nível de um filme de série B. O sofrimento está a acabar, tenham fé, é já Domingo.

Eu sei que sábado é o dia dedicado à reflexão, mas macho que é macho não tem essa capacidade, muito feminina, de operar em “modo multitarefa”, assim, como estarei ocupado, faço aqui – frente ao leitor – a minha reflexão.

A nível nacional será difícil atribuir o meu voto a quem ao fim de quatro anos não conseguiu, ou não quis, ir além do memorando.Não posso premiar quem perdeu a oportunidade de fazer um corte nas gorduras do Estado, um corte no rendismo, uma aposta séria na educação – pós programa-novas-facilidades – e ao invés apostou as fichas todas no estreito caminho do aumento de impostos, deixando o alegado pendor neoliberal e reformista na gaveta do esquecimento. Do outro lado, temos uma esquerda liderada por um PS fraco que ainda não fez o mea-culpa da última bancarrota. Nestes quatro anos, a esquerda lusa viveu na esperança Grega do Syriza, até o próprio Syriza cair na realidade Grega. Após a “capitulação” a Berlim, a esquerda internacionalista, ficou sem discurso ou alternativa. Costa é, por estes dias, um fantasma daquilo que poderia ter sido e para fantasmas chega Sócrates.

A nível local, com reais possibilidades de eleger um ou mais deputados, temos a Coligação e o Partido Socialista e aqui estão as duas grandes listas de bloqueio ao distrito. Se em Portugal não se discute a Europa, em Viseu não se discute Viseu – Ponto Final – Não há novidades. Em termos pessoais, nenhum dos candidatos faz a diferença. À falta de um Boris elegemos gente que aspira à aurea mediocritas, deprimente é o adjectivo.

Ok, diz o leitor mais revolucionário, podemos investir no voto de protesto. Eu respondo que sim. Mas se aplicar o mesmo tipo de exigência, que aplica aos partidos mais representativos, rapidamente surgem exemplos de estarmos perante miniaturas radicalizadas do centrão: Basta consultar o vídeo de apresentação do MPT (Viseu); ter em conta que o Partido do Marinho será sempre e só  “O Partido do Marinho”; atender a que os candidatos do Livre, nas primárias, apresentaram candidaturas para concorrer por outros distritos. O cenário é negro. Ainda não chega de votos de confiança a quem parece incapaz de nos representar?

Restam duas alternativas: A revolucionária abstenção ou o conservador voto em branco. A abstenção poderá ser entendida como válida, na medida em que votar será sempre um acto de legitimação a um regime que já faleceu mas do qual teimamos em não nos despedir. Para quem faz questão em cumprir o seu direito, votar em branco será a solução mais saudável perante o cenário que nos é proposto da esquerda ao centro, visto que a direita já desapareceu do mapa eleitoral e o liberalismo, nesta margem continental do Atlântico, nunca floresceu.

Porque o futuro não está nas juventudes mas na juventude, votarei na jovem mais excitante que descobri por estas semanas, Pupinia Stewart.

Miguel Fernandes, nascido em Viseu nos anos 80, durante a adolescência foi consumidor hiper-activo de televisão, música pop e lustrosos clássicos herdados do seu avô paterno. Tornou-se forasteiro, no seu próprio país, primeiro dedicou-se à Ciência Política depois à Gestão, quando finalmente percebeu que “Greed is not Good” regressou à planície beirã.

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