Quem está de Viseu no projecto nacional “Movimento pelo Interior”?

por PN | 2017.11.05 - 11:06

 

… Fernando Nunes, o empresário da Visabeira. Com ele estão Rui Nabeiro, da Delta e Silva Peneda do CES. Fontaínha Fernandes representa o Conselho de Reitores das Universidades Portugueses, Nuno Mangas, o Conselho Coordenador dos Politécnicos. Este movimento é coordenado por dois autarcas, Álvaro Amaro, presidente da CM da Guarda e presidente dos autarcas sociais-democratas e Rui Santos, presidente da CM de Vila Real e presidente dos autarcas socialistas.

O documento “Movimento pelo Interior – Em Nome da Coesão” foi apresentado ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que lhe concedeu o seu “alto patrocínio” e surge na cada vez mais clara constatação de que a “densidade populacional é 19 vezes superior nas áreas urbanas face às do interior”, e na premente necessidade de “no espaço de três legislaturas, 12 anos, idealizar uma nova forma de combater as injustiças sociais e económicas”, segundo Álvaro Amaro, que acrescentou ainda “Os diagnósticos estão todos feitos, os sinais são terríveis, e este movimento pretende que até ao próximo verão, de uma maneira muito plural, possam ser apresentados meia dúzia de temas para inverter a tendência que se tem verificado ao longo dos últimos anos“.

Entre outras solicitações e sugestões, o documento pede Orçamento de 2019 e fundos comunitários com foco no interior. E fá-lo, primeiramente com MRS, como acto público de arranque, ao que se seguirão nos próximos meses diversas acções – cinco debates regionais e um macro debate nacional, em Lisboa –  nas quais se irá debater profundamente os problemas da interioridade, sua ponderação e alerta para a sociedade civil e políticos.

Perante um país em que as disparidades e os desequilíbrios territoriais são cada vez mais gritantes, torna-se imperiosa uma atitude firme contra a decadência absoluta das políticas públicas em vigor”. (…) “Os diagnósticos estão feitos e não podemos perder mais tempo. Impõe-se uma nova forma de lutar e de combater as injustiças económicas e sociais”, lê-se como tónica central no documento/manifesto.

A realidade para um futuro próximo é tão temível que não pode ser mais ignorada. Segundo o INEM, em 2031 a população portuguesa ficará abaixo dos 10 milhões e em 2080 será de apenas 7,5 milhões. Ademais, esta população assim diminuída irá centrar-se em 33 dos 308 municípios nacionais do litoral, menos de 10%, gerando uma “desmesurada concentração de pessoas” em regiões onde se aglomeram recursos e serviços, deixando o resto do território à beira da desertificação e da pobreza.

Pelos vistos, além do empresário do Grupo Visabeira, nenhum político, nem os sempre em busca de projecção mediática, integram este Movimento. É pena, pois provavelmente haveria mais coesão e finalmente alguma coerência na desordenada política seguida, por exemplo, na autarquia viseense, muito histriónica e em constantes bicos de pés a reclamar verbas e fundos e, efectivamente, sem qualquer capacidade de se tornar uma capital liderante no que quer que seja.

Pedinchice e vistas curtas, sem visão de largo alcance para além do esconso umbigo de alguns… é o que temos!