quem dá mais?

por Maria José Quintela | 2017.07.02 - 10:21

 

 

estonteia-me a profusão de vozes que se levantam prontas a comentar o quotidiano. como se uma grande insónia espreitasse os zeladores desconhecidos da pátria. tão prestáveis na língua e com tão poucos gestos de boa vontade. acorrem a dar a máscara. não a cara. paletes e paletes de peritos a debitar estados de alma. até ao enjoo.

estes agentes da polivalência são arautos de discursos para todos os gostos. ocos. balofos. entre rumores e opiniões animam a festa. deitam os foguetes e sossegam a consciência. nunca apanham as canas nem apagam os fogos.

as iras extremam-se e tocam-se raiando a demência. de tantos anti-corpos afunda-se uma pátria. tantas cabecinhas pensadoras e nenhum jardineiro. fica a incompreensão de um jardim descuidado à beira-mar.

entre muitos tons e outras tentações é fácil encontrar o que nos agrada. difícil é saber o que nos fica bem. e tantos votos no ar. quem dá mais? passam-se os cheques em branco mesmo sabendo que os votos revertem em benefício alheio. mas isto não é o pior. pior do que ter um voto é não ter a quem o dar.