Quanto gastou a CMV com o jogo da Selecção Nacional? Boa pergunta…

por PN | 2017.11.13 - 16:54

 

 

Para já é uma incógnita… Ao que se sabe, e segundo a FPF, venderam-se 6.800 bilhetes a 15€ para o jogo entre a Selecção Nacional e a Arábia Saudita, que decorreu no dia 10 deste mês. O Estádio do Fontelo estava cheio e teve até um aumento de lotação conseguido com duas bancadas amovíveis, nos topos norte e sul do relvado.

Este encontro teve um excelente cariz solidário, pois a receita líquida do jogo reverterá para o auxílio à reconstrução de casas de primeira habitação de famílias carenciadas, que foram afectadas pelos incêndios.  Por simples aritmética, ter-se-á assim conseguido uma louvável verba de 102 mil euros, que irá directamente para as vítimas do flagelo deste final de primavera. Ou conseguiu-se mais?

Contudo há quem refira que ter em Viseu o “match” custou 300 mil euros? Será possível? E as restantes e vultuosas despesas daí decorrentes? A ser verdade, o que nem por um segundo acreditamos, quem paga esta factura?

Houve muito “show”. Muito espectáculo. Muitas horas de difusão televisiva com os grandes líderes locais, Almeida & Sobrado, a debitar megadecíbeis perante as câmaras, o que, e nem assim, com tanta labieta e tanto truque de prestidigitação & marketing parece conseguir atrair turistas, neste chegado ao fim “2017 Ano de Visitar Viseu”, nem consegue tirar o concelho do fundo da tabela do pior poder de compra per capita, da Zona Centro, segundo os dados revelados pelo INE.

Ler aqui

Viseu apresenta o pior indicador de poder de compra de todas as capitais de distrito da região Centro, escreve o nosso congénere “Dão e Demo”

Se o Executivo queria auxiliar as vítimas desalojadas pelos fogos e se foi gasto muito mais do que o triplo da receita obtida – a verificarem-se os números referidos – porque não deu directamente a verba para essa finalidade, podendo desse modo financiar o triplo ou o quadruplo das vítimas, no mínimo?

 

No conceituado blogue “O meu caderno desportivo”, pode ler-se o que se transcreve com a devida vénia, escrito por quem sabe de matérias desportivas:

“No caso de Viseu, a cidade não recebe com maior regularidade da selecção nacional A porque não tem uma infraestrutura adequada para o efeito. O Estádio do Fontelo está decadente e se assim o está deve em parte à visão acertada de um dos seus anteriores presidentes de Câmara. Em boa hora, Fernando Ruas não optou pelo endividamento da Câmara em prol de um evento efémero que poucas contrapartidas traria ao tecido económico da região a curto e médio prazo e até mesmo nenhum a longo prazo. Nem os clubes de Viseu possuem “massas associativas” que justifiquem tais obras, nem na altura possuíam até hipóteses para colocar um clube na 1ª divisão, visto que essa altura (2000, 2001) coincidiu precisamente com o início do processo de bancarrota, falência e extinção do antigo Clube Académico de Futebol, o actual Académico de Viseu Futebol Clube, formação que como se sabe investiu fortemente para subir na presente temporada à 1ª Liga, feito que obrigará certamente a CMV a ter que investir seriamente na remodelação do Estádio do Fontelo nos próximos meses. A transmissão de ontem (dos pormenores do Estádio) não passou essa ideia aos telespectadores porque não filmou os vidros partidos na fachada, não filmou a lastimável qualidade do seu relvado e mascarou uma bancada inútil (não tem cadeiras; penso até que não tem a sua segurança devidamente aprovada nas entidades competentes) através da filmagem sobre a bancada amovível que foi colocada pela FPF num dos topos do estádio. A câmara de Viseu deverá ser certamente uma das câmaras municipais que mais fundos atribui ao desporto do país. Posso até afiançar que a algumas colectividades do concelho, a CMV dá dinheiro a mais, financiando a rodos a ambição desmedida de alguns dirigentes que se servem das Instituições para aspirar a algo mais para as suas vidas. Falo-vos portanto daquela modalidade tão típica do ser lusitano: o alpinismo social. A ginástica de trampolim que são oferecidas por algumas colectividades aos seus dirigentes. Ou os dirigentes que fazem das colectividades que dirigem um mero trampolim.”

Ler aqui:

https://omeucadernodesportivo.wordpress.com/

Neste extracto de texto citado, objectivo e claro, são abordados diversos problemas, também colaterais, que deveriam obrigar quem tem poder a sobre eles reflectir e, a dar o seu contributo e apoio ao Desporto com critério, a quem o merece, para lá do “alpinismo social” e dos sumptuários gastos com o costumeiro “show-off” mediático, que já parece ser maleita sem cura.

 

(foto com DR)